CAMPO E LAVOURA | Registro histórico

Com a publicação de novos registros ontem, chega a 56 o número de defensivos agrícolas de controle biológico autorizados para uso neste ano. Segundo o Ministério da Agricultura, é a maior quantidade de produtos desse perfil em um mesmo ano. Até então, a liberação de 52 itens em 2018 era a maior.

Será encaminhado para a Secretaria de Planejamento, na próxima semana, o processo que trata da reestruturação do Instituo Rio-Grandense do Arroz (Irga). Ontem, as sugestões do grupo de trabalho da Secretaria da Agricultura foram apresentadas ao conselho deliberativo. Na terça-feira, será a vez de colocar as propostas para os representantes de servidores.

US$ 61,2 bilhões

foi a receita das exportações brasileiras do agronegócio no acumulado de janeiro a julho, alta de 9,2% na comparação com igual período de 2019. Em volume, foram 131,5 milhões de toneladas, o que representa aumento de 17%. É o que mostra análise da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil com base nos dados do Ministério da Economia.

A China foi o principal destino, com 39,2% dos embarques do setor.

ENTREVISTA: ANTÔNIO DA LUZ Economista do Sistema Farsul e diretor do Senar

O aumento da produtividade sozinho não é garantia de maior renda. É o que afirma Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul e diretor de Estudos Avançados e Inovação do Senar-RS, que participou de live em GZH sobre gestão:

– Não adianta produzir cem se o custo é 101.

Confira trechos da entrevista.

O que é gestão e qual a importância dela na propriedade?

É a palavra de ordem no agronegócio. Nos últimos 20, 30 anos, os produtores deram um enorme salto qualitativo de produção. Hoje, o processo produtivo é tão complexo quanto o da indústria. Isso exigiu uma reinvenção e trouxe uma questão: como gerenciar? Não adianta ter a melhor máquina e não usá-la da melhor forma. Todo ato tem custo, e se essa receita será suficiente é uma resposta que não vem da agronomia, mas da gestão.

Que obstáculos existem?

Acho que o primeiro desafio é despertar, assumir: eu sou muito bom produzindo, mas tenho que comprar na melhor hora, vender na melhor hora. Se eu pago uma fortuna de juros, não gerencio meu negócio, sou espectador. Para sentar no banco do motorista, preciso assumir que o problema existe. Aí começo a ir atrás de informações. Continuo indo ao campo, mas começo a me interessar por fluxo de caixa. Preciso entender meus negócios pelos números, me preocupar com gestão de pessoas. Tem solução tecnológica para tudo, mas antes é preciso despertar, aprender o que quero ver e quais resultados quero ter.

E isso tem relação com tamanho da propriedade?

Não. Começa com gerenciamento de finanças pessoais. É necessária para qualquer atividade que envolva recursos financeiros ou processos produtivos. Falo enquanto economista: não acredito em negócios duradouros sem gestão, e ponto. Se fizermos uma amostra, acharemos gente que produz menos, gerencia melhor e ganha mais dinheiro. Isso só se consegue com processos gerenciais.

Qual o papel das novas tecnologias nesse processo?

As tecnologias ajudam, e muito. Hoje, o grande custo é não ter gestão. Ninguém é capaz de gerir um negócio e acertar em todas as decisões. Mas, se tiver boa gestão, eleva esse percentual de acerto. Cada acerto e cada erro têm consequências econômicas. E é possível ter um bom gerenciamento com custo baixo e tecnologia. Antes temos de olhar para aonde queremos chegar, o que se quer medir e o que fazer com as informações.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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