CAMPO E LAVOURA – Recursos para atenuar efeitos da estiagem no RS desidrataram

Tal qual a estiagem que voltou a desidratar a produção do Rio Grande do Sul, o pacote de R$ 55,1 milhões anunciado para medidas de enfrentamento ao problema minguou. A maior fatia, R$ 29,1 milhões obtidos via bancada parlamentar gaúcha, sucumbiu ao contingenciamento de recursos federais. Não mais será aplicada na instalação e poços artesianos em 211 municípios que tiveram situação de emergência homologada no verão passado.

Sobra pouco menos da metade do total sinalizado em julho, a partir da soma de verbas de diferentes origens. São R$ 26 milhões: R$ 10 milhões da Assembleia Legislativa, igual quantia do Estado e R$ 6 milhões via Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).

Desse montante apenas R$ 6,5 milhões estão sendo aplicados na construção de 1.020 açudes, 260 deles já concluídos. Essa operação está a cargo da Secretaria Estadual da Agricultura. A pasta ficará responsável ainda por 85 poços a serem construídos com o dinheiro empenhado pelo MDR, que depende de licitação.

O convênio com a Caxa Econômica Federal foi assinado no mês passado. O titular da Agricultura, Covatti Filho, explica que a instituição pediu a realização de adequação no projeto, a ser concluída ate o final da semana. Feito isso, será devolvida ao banco, que dá o aval final para a licitação.

A liberação de recursos para a construção de outros 105 poços é conduzida pela Secretaria Estadual de Obras. Hoje, termina o prazo para que os municípios encaminhem a documentação – como o valor a ser liberado, R$ 70 mil, dispensa licitação, o acesso depende apenas dessa entrega. Até ontem, ainda faltavam 32 cidades. Só serão atendidos os pedidos que tiverem o material remetido até o prazo final.

O secretário José Luiz Stédile diz que foi feito contato com todas as prefeituras aptas ao benefício. As razões apontadas, explica, vão desde a falta de interesse até a inviabilidade técnica de execução da obra.

Outros 65 municípios foram selecionados para receber R$ 100 mil, cada, para o pagamento de horas-máquinas – usualmente destinados ao conserto de estradas e recuperação de valões, entre outros. Nove cidades ainda não enviaram a documentação.

Dispensada de cumprir qualquer rito, a estiagem voltou a trazer prejuízos ao Estado.

Plantio da safra avança no Estado

Mesmo persistindo a preocupação com prognóstico de novo período de tempo seco no Estado, a umidade trazida pelas precipitações da última semana permitiu avanço do plantio e desenvolvimento das lavouras.

Conforme levantamento da Emater, a semeadura da soja alcançou 88% da área total estimada, ainda levemente abaixo do percentual médio para esse período (93%), mas oito pontos percentuais à frente da semana anterior. A maior parte do que foi cultivado, 98%, está na fase de germinação e desenvolvimento vegetativo, com 2% já em floração. A janela de plantio do grão segue até o final deste mês.

As condições também favoreceram o plantio do milho, que chegou a 89% da área prevista. Do que foi semeado, 35% está na fase de enchimento de grão, em que a chuva é essencial, não podendo faltar.

no radar

Marcada para 17 a 20 de março de 2021, a Expoagro Afubra, em Rio Pardo, teve 191 empreendimentos, de 92 municípios, habilitados para o pavilhão da agricultura familiar. Trabalhando para adotar os protocolos de saúde, a feira ainda depende do aval do Estado.

Nem fervendo, nem frio

Valorizado em 2020, o leite deve ter em 2021 um cenário de preços mais estáveis, para produtor e consumidor. A projeção, é claro, está sujeita a variáveis, como o peso do auxílio emergencial, que alimentou a demanda do mercado interno, a possibilidade de retorno das aulas presenciais nas escolas, a variação cambial e o efeito do clima na produção do Rio Grande do Sul.

– Como aumentou muito em 2020, é provável que o próximo ano seja de estabilidade, com leves altas no primeiro semestre – projeta Rodrigo Rizzo, presidente do Conseleite.

A alta real verificada em 2020 no valor de referência pago ao produtor foi de 19,67%, a maior em 14 anos, conforme série histórica do Conseleite. Para o consumidor, o litro de longa vida em novembro era 28,46% mais caro que em janeiro e o maior desde julho de 2018, conforme dados do Iepe/UFRGS (veja acima).

Marco Antonio Montoya, professor da UPF e responsável pelo estudo do Conseleite, avalia o cenário deste ano como atípico, reflexo das mudanças nos hábitos de consumo na pandemia.

No entanto, nem a valorização diluiu as preocupações do setor produtivo. O aumento do desembolso necessário à produção corroeu a possibilidade de ganhos. No acumulado dos últimos seis meses, só o gasto com ração cresceu 35,6%, segundo levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).

– O problema é que a margem está menor do que a do ano passado, porque o custo de produção se elevou – diz Eugênio Zanetti, vice-presidente da Fetag.

Soma-se a isso novas perdas no milho, e a preocupação cresce. Diante da manutenção da escassez do grão, Zanetti não vê espaço para recuo de custos ou preços no primeiro semestre.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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