CAMPO E LAVOURA – Recuo e avanços históricos nos abates

Há semelhanças e diferenças a serem consideradas nos números de abates do primeiro trimestre do Brasil e do Rio Grande do Sul divulgados ontem pelo IBGE. No geral, os dados mostram uma queda na indústria de carne bovina e aumento na de aves e suínos. O que muda é a proporção. No país, as 6,56 milhões de cabeças de bovinos abatidas representam volume 10,6% inferior ao de igual período de 2020 e o nível mais baixo desde o 1° trimestre de 2009. Janeiro foi o mês de maior redução: 14%.

Entre os fatores que ajudam a explicar o resultado estão a retenção de fêmeas (para a produção de terneiros, cada vez mais valorizados), a redução dos confinamentos de gado (pelo custo elevado do milho) e o aumento no preço do boi a patamares superiores aos do Rio Grande do Sul, aponta Júlio Barcellos, coordenador do Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro) da UFRGS.

– No primeiro trimestre do ano passado, o preço do gado no Brasil Central estava muito próximo ao do Estado. Neste ano, aumentou em outra proporção, descolou do Rio Grande do Sul – completa Barcellos, em relação à diferença dos percentuais de redução nacional e estadual.

No Estado, o levantamento do IBGE aponta abate de 426,55 mil bovinos nos três primeiros meses do ano, 0,76% a menos do que no intervalo do ano passado.

Pelos campos gaúchos, esses meses concentram a produção de grãos, que ocupa áreas de pastagens cultivadas, alimento do gado. A oferta de animais acaba, então, ficando menor.

Na produção de suínos, a coisa se inverte. O crescimento de abates no Estado somou 6,11% (com 2,2 milhões de cabeças) na comparação com o primeiro trimestre de 2020. No país, foram 12,62 milhões de animais, alta de 5,7% – e maior número para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997. O desempenho da indústria gaúcha, nesse caso, vem muito puxado pela demanda externa, que se mantém aquecida e aumentando. Estão no RS metade dos 16 frigoríficos aptos a embarques à China.

No frango, o Estado registrou crescimento de 3,04% nos abates (218,25 milhões de cabeças). O Brasil ficou com percentual um pouco acima, de 3,3% – 1,57 bilhão de animais, também o maior volume da série.

Impactadas pela elevação de despesas, puxadas pelo milho que entra na ração animal, as empresas de frango do Estado têm tido dificuldades de fechar as contas e vêm reduzindo a produção. O efeito dessa medida sobre os abates, no entanto, virá no segundo trimestre. Dado da Associação Gaúcha de Avicultura apontava que em abril, o volume caiu 11,5%.

NO RADAR

A condição de livre de febre aftosa sem vacinação, obtida pelo RS exige cuidados redobrados para a manutenção do status. O assunto é um dos temas do 2º Fórum Estadual de Vigilância, amanhã, a partir das 14h, em formato virtual. A transmissão pode ser acompanhada no canal do YouTube da Secretaria da Agricultura, que organiza o evento com o Ministério da Agricultura.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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