CAMPO E LAVOURA – Receita recorde nas exportações do agro

Ainda há um longo percurso até o final do ano, mas os recordes trazidos pelos dados parciais apontam para um ano de exportações em alta no agronegócio. No embalo das cotações dos principais produtos da pauta, o mês de maio trouxe duas novas marcas. A receita dos embarques do setor, US$ 13,94 bilhões, foi recorde no mês, resultado repetido no acumulado dos cinco primeiros meses, com US$ 50,24 bilhões. Há expansão também em volume, nas duas comparações, mas é a valorização global das commodities que tem puxado as novas marcas históricas.

Conforme análise da Secretaria de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, o índice de preço dos produtos comercializados pelo Brasil aumentou 24,6%, enquanto o de quantidade, 7,3%.

– O cenário de pandemia gera preocupação com a segurança alimentar e faz com que os países estejam importando mais alimentos – observa Renan Hein dos Santos, analista de relações internacionais da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

E no topo da lista dos maiores apetites, está, é claro, a China. O país asiático respondeu por 39,6% de toda a receita obtida pelo agronegócio brasileiro no acumulado de 2021. Se considerado apenas maio, a fatia cresce: 45,8%. O consumo voraz tem relação, ainda, com os reflexos da peste suína africana.

A demanda elevada associada à disponibilidade tem ajudado na valorização. No caso da soja, a China deve fechar 2021 com crescimento, pelo terceiro ano seguido, do volume importado – a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês) é de cem milhões de toneladas. No mesmo intervalo, o estoque americano "despenca". Combinação que valoriza o produto em dólar e ainda mais em reais, pela variação cambial, acrescenta o analista da Farsul.

Na ponteira dos negócios

SOJA: as exportações de soja em grão tiveram os melhores cinco primeiros meses do ano em quantidade, somando 48,32 milhões de toneladas, e em faturamento, com US$ 20,31 bilhões. Desempenho alimentado, mais uma vez, pelos chineses, que têm fatia de 70,8% da receita das vendas externas

CARNE: a proteína animal brasileira segue com lugar de destaque no mercado. Os embarques de carne de frango e suína aumentaram em volume e receita. Os de carne bovina, encolheram 2,9% em quantidade, mas geraram faturamento maior por conta do preço médio 5,4% mais alto no período

no radar

A Avaliação Nacional de Vinhos deste ano tem data marcada: ocorre em 6 de novembro em formato virtual. Aos moldes da degustação de 2020, o público poderá comprar kits com vinhos da safra para experimentar em casa. A primeira etapa do evento, de inscrições das amostras pelas vinícolas, vai de 27 de julho a 18 de agosto.

1,3 tonelada

foi a quantidade de produtos de origem animal impróprios para o consumo apreendida em nova ação da força-tarefa do Ministério Público. A vistoria, que conta com servidores das pastas estaduais da Agricultura e Saúde, do serviço de inspeção e da saúde municipais, além de Brigada Militar e Polícia Civil, foi em Nova Hartz.

12 vezes a inflação

A conta é feita pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav). Em 12 meses, a cotação do milho, ingrediente da ração animal, teve variação de 102,6%, 12 vezes a inflação geral do país no mesmo período, de 8,06% no país, conforme o IPCA. A comparação tenta dimensionar a alta de custos de produção para o consumidor. No mesmo período, o valor do frango em pedaços subiu 14,69% (no país).

José Eduardo dos Santos, presidente da Asgav, ressalta que o setor reduziu a produção para "evitar ao máximo repassar essa alta agonizante".

Espaço para a soja

O avanço da soja em áreas de arroz, no sistema de rotação, está presente em todas as regiões de produção do Estado. Como publicado pela coluna, o crescimento em 10 anos foi de 205%. Em alguns pontos, no entanto, a dobradinha ganhou mais espaço do que em outros. Dos 370,59 mil hectares cultivados com a oleaginosa na safra colhida, 99,78 mil estavam na Zona Sul, conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). Outros 91,85 mil hectares estão na Campanha. Nessas duas regiões também ficam três dos cinco municípios com as maiores áreas de soja em alternância com o arroz, aponta o Irga. No topo da lista está Santa Vitória do Palmar, na Zona Sul, com 37,05 mil hectares, mais do que toda a Fronteira Oeste.

Em segundo lugar está Dom Pedrito, na Campanha, com 34 mil hectares. Na sequência vêm Camaquã (Planície Costeira Interna), Arroio Grande (Zona Sul) e São Borja (Fronteira Oeste).

Para Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), a conscientização dos produtores sobre os benefícios da rotação de culturas é um dos fatores que ajudam a explicar essas áreas maiores. Em relação ao avanço da soja em Dom Pedrito, acrescenta particularidades do local:

– Vinha sendo o de menor preço de arroz no Estado e tem topografia que favorece a soja. Isso acelerou processo.

Além do espaço, o dirigente chama a atenção para os índices de produtividade (volume por hectare) obtidos em regiões "arrozeiras". É o caso da Planície Costeira Interna, com média de 57,2 sacas, acima da média geral da soja para o RS, estimada em 55 sacas por hectare pela Emater, incluindo as áreas do Norte.

CAMPO E LAVOURA

Gisele Loeblein
gisele.loeblein@zerohora.com.br

Fonte : Zero Hora

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