CAMPO E LAVOURA | Área de oliveiras avança e RS colherá safra maior em 2021 Futuro sustentável

Dando continuidade a um movimento iniciado nos últimos anos, agricultores gaúchos ampliaram a área destinada à olivicultura nesta safra. Estimativa do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva) indica que o Rio Grande do Sul cultivou entre 6,6 mil e 7 mil hectares de oliveiras no ciclo 2020/2021. Na temporada passada, eram aproximadamente 6 mil hectares. A maior parte do plantio está concentrada na metade Sul, sobretudo na Campanha.

Em plena colheita, o Estado deve obter entre 800 mil e 900 mil quilos de azeitonas, segundo projeção do presidente do Ibraoliva, Paulo Marchioretto. O resultado representa avanço frente aos cerca de 525 mil quilos retirados dos pomares em 2020, mas ainda fica aquém dos 1,5 milhão de quilos produzidos em 2019, o recorde gaúcho até o momento.

Marchioretto explica que a florada das árvores ocorreu de maneira irregular neste ano, o que prejudicou a polinização e afetou o potencial produtivo. Além disso, o dirigente salienta que muitos pomares ainda não atingiram o completo desenvolvimento.

– A produção ainda está começando a tomar forma de maneira mais firme. Acredito que o mercado estará mais consolidado em cinco anos. A oliveira atinge seu potencial máximo a partir do oitavo ano e a maioria no Estado ainda está no quinto ou sexto ano de produção – complementa.

Com as azeitonas colhidas neste ano, o Estado poderá produzir entre 80 e 90 mil litros de azeite de oliva extravirgem. Em 2020, o beneficiamento do alimento totalizou em torno de 50 mil litros de óleo. O recorde até o momento pertence à safra de 2019, com 198 mil litros de azeite.

Mais da metade da safra gaúcha deste ano já foi colhida. A estimativa do Ibraoliva é que o ciclo siga até o início de março.

No momento, os gaúchos respondem por aproximadamente 65% da produção de azeitonas e de azeite de oliva no Brasil. Em todo o país, há 11 mil hectares de oliveiras. Depois do Rio Grande do Sul, em área cultivada, aparece Minas Gerais, com 3 mil hectares.

Futuro sustentável

Empresa centenária e detentora de fatia expressiva do mercado nacional de vinhos, a Salton traçou uma meta ambiciosa para esta década. A vinícola de Bento Gonçalves, na Serra, pretende neutralizar totalmente sua emissão de carbono até 2030, algo ainda inédito na vitivinicultura brasileira. Para alcançar o objetivo, iniciou um estudo com a Universidade de Caxias do Sul (UCS), que terá três frentes de trabalho e duração prevista de um ano.

Da produção de uvas à logística reversa das garrafas, todos os processos realizados pela vinícola terão seus impactos ambientais mapeados. Atualmente, a empresa recebe mais de 30 milhões de quilos da fruta a cada safra e elabora 35 milhões de litros de bebidas ao ano. O diretor-presidente Maurício Salton nota que o consumidor vem se preocupando cada vez mais com questões relacionadas às mudanças climáticas e ao desenvolvimento sustentável.

– Não podemos segregar a questão ambiental. Dependemos 100% da natureza, por nossa relação íntima com a uva. A empresa tem de ser competitiva no mercado, mas também entregar algo a mais para a sociedade – considera.

Inicialmente, a parceria do núcleo de inovação, pesquisa e desenvolvimento da vinícola com a UCS levará à elaboração de um inventário de emissão de gases de efeito estufa. Dessa maneira, será possível identificar o impacto ambiental gerado pela Salton e, posteriormente, adotar medidas compensatórias e que ajudem a reduzir novas emissões.

Outra frente da pesquisa avaliará o ciclo de vida completo do processo produtivo dos itens fabricados. Além disso, o estudo também analisará a possibilidade de geração de energia por gaseificação ou combustão de resíduos orgânicos da fábrica, como a casca da uva.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES | INTERINO

Fonte: Zero Hora

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