CAMPO E LAVOURA | R$ 600 para o presente, juro menor para o futuro

No topo das reivindicações dos produtores familiares estão dois itens que atendem a tempos diferentes. Um ajuda a lidar com a situação presente. O outro foca mais à frente. A busca pela derrubada do veto do presidente Jair Bolsonaro à inclusão da categoria entre os aptos a receber o auxílio-emergencial de R$ 600 tenta garantir algum tipo de renda em meio aos efeitos da covid-19. E o reforço no pedido para corte de juro no próximo Plano Safra mira no crédito necessário para o plantio no ciclo 2020/2021.

Esses tópicos marcaram a reunião virtual da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, com participação da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais (Contag), das federações estaduais (incluindo a Fetag-RS), do secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Fernando Schwancke, e representantes de instituições bancárias.

Para os parlamentares fica o compromisso de tentar convencer aliados do governo a derrubarem o veto em relação aos R$ 600. Presidente da Frente Parlamentar, Heitor Schuch diz que esse pedido vem de todas as partes do país.

O benefício serve para minimizar prejuízos da pandemia, mas no Estado é alternativa diante da ausência de resposta para a criação do bolsa-estiagem. Principalmente porque há regiões em que a situação impediu as vendas da agricultura familiar, deixando os produtores dependentes das políticas de Estado. Presidente da Contag, Aristides Santos diz que em São Paulo, por exemplo, houve redução na área de hortaliças porque não havia mercado. O dirigente também enfatiza a necessidade de juro menor no próximo ciclo:

– Tem de ficar próximo de zero. Não pode a taxa Selic ser de 3% e uma linha de crédito emergencial ser de 4,6%. Tem de levar em conta os efeitos na economia da pandemia.

A linha emergencial a que se refere é uma das medidas criadas pelo governo federal para liberar recursos tanto para produtores afetados pelas restrições do coronavírus quanto pela estiagem, no caso do Rio Grande do Sul. Além da taxa, há outro problema.

– Na prática, ainda não está rodando – diz Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

A taxa no próximo Plano Safra deve, sim, ficar menor. O pedido de redução também é prioridade para a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA). De quanto será o corte é que não se sabe. O anúncio do pacote está previsto para o dia 15.

Após um período de paralisação devido ao coronavírus, a Feira do Azeite de Porto Alegre está de volta no próximo sábado, no pátio da Secretaria da Agricultura, no bairro Menino Deus, das 8h às 12h30min. Para a segurança de produtores e consumidores, é obrigatório o uso de máscara, as bancas devem ter distanciamento de dois metros e não haverá desgustações.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

Compartilhe!