CAMPO E LAVOURA | Que estragos a nuvem de gafanhotos pode causar no RS Balançada

– O que for verde, vão pegar – aponta Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater sobre o apetite da nuvem de gafanhotos que ameaça chegar ao Rio Grande do Sul.

No Estado, o risco neste momento recai sobre as pastagens de inverno, usadas na alimentação do gado, e sobre lavouras da estação do frio, que estão nas etapas iniciais de desenvolvimento. Na regional da Emater de Ijuí, no Noroeste, aveia branca e canola estão mais adiantadas. Trigo e cevada foram, na sua grande maioria, implantados. E encontram-se na parte do ciclo em que têm entre uma e três folhas, com o aspecto visual parecendo o de uma grama um pouco mais alta. As pastagens estão em diferentes etapas, porque o plantio é escalonado, mas poucas estão por emergir.

– Neste período, as pastagens seriam seguramente vulneráveis, mas não tem pastos altos, uma das preferências. Ele pousa no que é mais visível na superfície, qualquer anteparo: cerca, porteira, plantas altas, frutíferas. Seguramente chegariam em pastagens, na Fronteira Oeste, talvez pegando resteva de arroz. Se andasse para Noroeste, poderia chegar nas culturas de inverno – acrescenta Jerson Guedes, do Laboratório de Manejo Integrado de Pragas (LabMIP) da UFSM.

Outro risco seria se avançasse, no Sul, para a área da Campanha, em Bagé, Dom Pedrito, com chance de atacar frutíferas que têm folha neste período, acrescenta Guedes. O Oeste e o Noroeste eram inicialmente áreas apontadas para possível deslocamento da praga. Com a alteração da rota no país vizinho, a atenção começou a se voltar mais para o sul do Estado, na fronteira com o Uruguai.

– Diminuiu um pouco o medo dos produtores porque a rota está mais ao sul – explica Gilberto Bortolini, agrônomo responsável pela área vegetal na regional de Ijuí da Emater.

Pesquisadores do LabMIP da UFSM avaliam como pouco provável a chegada ao Estado. O professor Clérison Perini calculou a quilometragem percorrida pela nuvem (leia mais abaixo). A equipe conta ainda com infográficos elaborados pelo engenheiro agrônomo Tiago Colpo. Na quarta-feira, houve encontro virtual com a Emater, para orientações.

– O último fenômeno dessa grandeza foi a chegada da lagarta Helicoverpa armigera, em 2012. Foi um fenômeno que nos levou a um alerta e que fez com que nos preparássemos com conhecimento – lembra o diretor técnico da Emater.

As entidades organizadoras da Expointer ao lado da Secretaria da Agricultura devem voltar a se encontrar na próxima semana. Ontem, participaram de reunião virtual, que contou com a presença de representante da pasta da Saúde. Foi apresentado o parecer prévio em relação aos pontos de atenção dentro do parque Assis Brasil, em Esteio. E sugestões para que se possa garantir a segurança do evento em meio ao cenário de pandemia.

Uma delas seria a utilização de drones da secretaria da Agricultura para monitorar a circulação na área do evento, ajudando na fiscalização. Outro ponto seria medir a temperatura das pessoas na entrada.

O governo do Estado anunciou na semana passada alteração da data para o período de 26 de setembro a 4 de outubro, na tentativa de torná-la viável.

A realização neste ano atípico segue dividindo opiniões das entidades. Federação da Agricultura do Estado, Federação dos Trabalhadores na Agricultura, Organização das Cooperativas, Sindicato das Indústrias de Máquinas e prefeitura de Esteio mantêm ressalvas, enquanto Federação das Associações de Criadores de Animais de Raça entende que é importante que a exposição saia. Com as informações da Saúde, as bases deverão ser agora consultadas.

O secretário de Agricultura, Covatti Filho, diz que o primeiro ponto foi definir a questão da data. E que no encontro de ontem ouviu as ponderações da entidades parceiras. Sobre a chance de o Estado rever a posição e optar pelo cancelamento, ele afirma:

– Hoje é cedo para responder. Porque as regras estão sendo construídas ainda.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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