CAMPO E LAVOURA | Quando a informação não vem, a especulação prevalece

Se as explicações oficiais demoram a aparecer, os efeitos da notícia da presença de coronavírus em frango do Brasil, não. As Filipinas anunciaram embargo ao produto na sexta-feira, um dia depois da divulgação da suspeita levantada em Shenzhen, na China. Nos dois casos, o Ministério da Agricultura aguardava notificação da autoridade sanitária do país asiático. E enquanto as especulações permanecerem, esse é o risco para as indústrias brasileiras do setor de proteína animal: impacto às vendas.

Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também afirmava não ter sido comunicada sobre a decisão dos filipinos, se colocando à disposição do ministério para esclarecimentos, "já que se trataria de uma decisão sem fundamentação técnico-científica".

Com as portas abertas desde 2001, os filipinos compraram, de janeiro a julho deste ano, 2,1% do total de aves exportado pelo Brasil, o que representa 50,3 mil toneladas, segundo dados da ABPA. Ainda que não represente volumes significativos, é um mercado cobiçado e, portanto, uma perda sentida, avalia Francisco Turra, presidente da entidade:

– Como todos, é um mercado interessante. Por menor que seja, pode render boas negociações para o Brasil.

Apesar da preocupação, o quadro nessa situação é percebido como diferente de outros momentos em que questões sanitárias determinaram reação em cadeia, com embargos se multiplicando.

Turra observa que o Brasil tem agora a oportunidade de defesa sobre o assunto. Tarefa que ganha o respaldo de diferentes órgãos. As organizações mundiais da Saúde, das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação e da Saúde Animal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) têm ressaltado não haver evidências científicas de que a carne seja transmissora do vírus.

Diretor-executivo do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Michael Ryan disse não haver razão para pânico, nem para "criar a impressão de que há problema com nossa cadeia alimentar".

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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