CAMPO E LAVOURA | Proximidade do plantio reforça expansão da área de trigo no RS

Com o plantio da safra de inverno se aproximando (a largada é em maio), a expansão da área de trigo no Rio Grande do Sul fica evidente. Depois de um hiato de seis safras, poderá voltar a somar mais de 1 milhão de hectares, engatando o segundo ano seguido de crescimento. Entre produtores e entidades, a dúvida do momento é saber o tamanho do avanço, partindo de 15%.

A retomada da aposta nessa cultura de inverno é reflexo de insumos que vão do bolso ao benefício agronômico. O cereal continua valorizado no mercado gaúcho. E o resultado positivo esperado com a safra de soja também pesa a favor. Mais capitalizado, o agricultor tende a aproveitar a chance de tentar obter renda também com a produção de inverno.

– Enxerga nesse cenário a oportunidade de diluir seus custos fixos – pontua Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do RS (Farsul).

O aumento da área de trigo foi um dos assuntos debatidos nesta semana na reunião da Câmara Setorial do Trigo. Jardim avalia que haja incremento de pelo menos 15%, podendo ir além. A perspectiva é de que a cultura possa ficar entre 1,1 milhão e 1,15 milhão de hectares.

Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro-RS), reforça a percepção de que haverá mais espaço ao trigo. O primeiro levantamento da rede técnica apontava área 10% maior, mas agora o dirigente estima que possa chegar a 20%:

– Há regiões que não estavam mais plantando trigo e agora devem voltar com força.

Otimismo compartilhado por quem desenvolve cultivares do cereal. Tiago de Pauli, gerente da regional sul da Biotrigo Genética, também vê área potencial de até 1,1 milhão de hectares.

Outro ingrediente promissor vem da mobilização para que o Estado amplie a utilização do espaço que costuma ficar ocioso no inverno. Dessa vez, a provocação vem do setor de proteína animal, que busca atenuar o peso imposto pelo milho no custo da ração animal. A proposta engaja entidades e tem na figura do ex-ministro da Agricultura Francisco Turra uma das referências.

– As indústrias gaúchas e catarinenses estão perdendo competitividade em razão do custo do milho. É preciso buscar alternativa. A nova fronteira agrícola é a safra de inverno – avalia Osvaldo Vieira, chefe-geral da Embrapa Trigo.

Pesquisas mostram que o trigo tem equivalência nutricional para substituir 100% o milho. E o triticale, 88% na ração de aves e 100% na de suínos.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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