CAMPO E LAVOURA – Produtores vão à Justiça contra o desconto da "taxa do frio"

Sem chegar a um consenso por meio da negociação, o debate em torno da chamada "taxa do frio", cobrada por frigoríficos do Estado, vai parar nos tribunais. A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e a Federação das Associações Brasileiras de Criadores de Animais de Raça (Febrac) informaram ao Sindicato das Indústrias de Carnes do Rio Grande do Sul (Sicadergs) que recorrerão à Justiça para tentar derrubar o desconto.

No centro da disputa está a dedução de 2% do peso da carcaça para compensar a perda sofrida no processo de resfriamento nas câmaras frias. Os pecuaristas contestam a cobrança e destacam que o Rio Grande do Sul é o único a ter essa taxa.

– É uma prática, não é respaldada por legislação. – observa Gedeão Pereira, presidente da Farsul, que ontem se reuniu com a Comissão de Pecuária de Corte da entidade para tratar da questão.

Ainda em dezembro, Farsul e Febrac colocaram o assunto em votação, com associados decidindo buscar a judicialização se não houvesse avanço nas negociações.

Outro ponto questionado na cobrança, acrescenta Leonardo Lamachia, presidente da Febrac, é o percentual linear da taxa, sem que sejam levadas em conta variações e "sem opção para o produtor".

Conforme publicado pela coluna na semana passada, o Sicadergs, na condição de intermediador, havia encaminhado um posicionamento às entidades e aguardava resposta. Entre as propostas, a de que se criasse uma terceira modalidade de compra: a de rendimento de carcaça "quente". Hoje, há duas formas de venda: com pagamento por quilo vivo, com a pesagem do animal na propriedade, e por aproveitamento de carcaça "fria" (resfriada, sobre a qual incide a taxa de 2%).

O entendimento, no entanto, foi de que havia fragilidade nas proposições feitas. Será feita agora a notificação às empresas. Presidente do Sicadergs, Ronei Lauxen reforça que "trata-se de uma questão comercial", sobre a qual a entidade não pode fazer imposições. E lamentou o indicativo de que o tema será levado à Justiça:

– Achamos que é um erro estratégico, porque as duas partes dependem uma da outra. Consumirá uma energia que poderia ser mais produtiva, favorecer o crescimento do setor.

Ministério emite nota sobre fala de Macron

O Ministério da Agricultura se manifestou, por meio de nota, sobre o comentário do presidente francês Emmanuel Macron sobre a soja brasileira. Na declaração, a pasta afirma que o Brasil tem "uma das legislações ambientais mais rigorosas do mundo e utiliza tecnologias reconhecidas que ampliaram a sustentabilidade de sua produção agropecuária".

O documento segue acrescentando que a declaração de Macron "mostra completo desconhecimento sobre o processo de cultivo do produto importado pelos franceses e leva desinformação a seus compatriotas". A pasta finaliza dizendo que "toda a produção nacional tem controle de origem". E que a soja brasileira, portanto "não exporta desmatamento".

Em seu Twitter, o presidente francês postou que continuar dependendo da soja brasileira "seria ser conivente com o desmatamento da Amazônia".

US$ 1,64 bilhão foi a receita das exportações brasileiras de tabaco em 2020, recuo de 23,4% sobre 2019. Reflexo de qualidade e valorização do dólar, aponta o SindiTabaco. Em volume, as 514,29 mil toneladas representam queda de 6,31%. Os percentuais se alinham à pesquisa da Deloitte para o SindiTabaco. Iro Schüncke, presidente da entidade, pontua que o resultado "era esperado" e reflete a base de comparação. Em 2019, o volume embarcado cresceu 19% , por conta de embarques postergados.

Contrastes

Os levantamentos de safra divulgados por Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e IBGE ainda apresentam um descompasso com relatos vindos do interior do Estado sobre perdas nas lavouras por conta da falta de umidade. O milho é, até o momento, a cultura com prejuízos consolidados. Isso em razão da produção do "cedo" que foi atingida em cheio pela primavera seca.

No dado da Conab divulgado ontem, a previsão de colheita manteve recuo de 9,3% sobre o ciclo 2019/2020. Agora, em janeiro, os dados serão compilados a campo. E servirão de subsídio para a divulgação a ser feita no próximo mês.

Superintendente regional da Conab no Rio Grande do Sul, Carlos Bestétti observa que, neste momento, "não é possível bater o martelo" sobre o resultado final do milho:

– Está em análise. Para o milho da segunda etapa, temos um clima daqui para frente que é incerto. E tem 25% da área que foi plantada agora (final de dezembro a início de janeiro).

Nas regiões que plantaram mais cedo, o rendimento tem sido baixo. E há pontos em que o grão sequer será colhido.

A Associação dos Produtores de Milho (Apromilho-RS) trabalha com perspectiva de redução média de 35% a 40% sobre a estimativa inicial, com áreas em que se intensificam. O Vale do Rio Pardo (foto) tem sido um ponto de preocupação e já motivou reunião com participação da Frente Parlamentar da Agropecuária do Estado.

No dia 21, a Frente Parlamentar da Agricultura Familiar do Câmara Federal e Fetag-RS têm agenda com a ministra da Agricultura.

Para a soja, o quadro é outro. Embora tenha havido atraso no plantio, Bestétti observa que poderá ser uma boa safra.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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