CAMPO E LAVOURA | Produção debaixo do mau tempo no RS

A chuva forte e os temporais registrados no Estado têm efeitos também no campo. Segundo Emater e Secretaria da Agricultura, por ora, os principais estragos são em estruturas, como estufas, galpões e silos, danificadas pelo mau tempo. Na produção, há relatos de prejuízos em áreas de reflorestamento na região de Erechim, no Norte; alho, em Caxias do Sul, na Serra; e olerícolas e bananais no Litoral Norte.

As culturas de inverno, como a do trigo, encontram-se, na maioria, em etapa de desenvolvimento de menor suscetibilidade às intempéries. Ainda assim, todo excesso é ruim, pontua Alencar Rugeri, diretor técnico da Emater:

– O solo ainda está vulnerável, em fase de transição, de sem para com cobertura. Pode haver perda de nutrientes e do solo.

A umidade também impede o avanço do plantio de trigo. A área semeada não deve ter grandes alterações em relação à semana passada, quando chegava a 75% do total estimado para a atual safra.

Meteorologista da Secretaria da Agricultura, Flavio Varone aponta acumulados entre 150 e 180 milímetros em algumas regiões. Ele observa que maio marcou uma mudança de padrão na chuva, depois do longo período de escassez. Os prognósticos para os próximos três meses, no entanto, são de condição de normalidade:

– Será um inverno bem típico, em temperatura e chuva.

O quadro de estiagem, que se arrastou por todo o verão, ainda não é considerado superado pela Defesa Civil. Segundo o coordenador, coronel Julio Cesar Rocha Lopes, houve pouca absorção de água pelo solo.

Angus se manifesta sobre Expointer

A decisão não é unânime, motivo pelo qual a entidade se propõe a ajudar quem optar em participar, mas a Associação Brasileira de Angus (ABA) emitiu nota em que manifesta contrariedade à realização da Expointer na nova data, de 26 de setembro a 4 de outubro.

Presidente da ABA, Nivaldo Dzyekanski explica que a entidade fez um levantamento com os associados. A maioria manifestou essa posição. Os motivos são a temporada de leilões, já em vigor naquele período, o preparo para o plantio de verão e a segurança.

Como há criadores que querem participar da Expointer, a associação garante que dará todo o apoio a eles, inclusive na realização de julgamentos. A angus, assim como outras raças são consideradas as grandes estrelas da exposição e conhecidas pela produção de carne de qualidade.

no radar

Está prevista para hoje reunião com as entidades organizadoras da Expointer ao lado da Secretaria da Agricultura. O encontro ocorre depois de, na última semana, a pasta da Saúde apresentar relatório prévio sobre os pontos de atenção no parque Assis Brasil, em Esteio, e medidas sugeridas para a realização do evento em meio à pandemia.

42,59%, é o percentual acumulado em 12 meses do Índice de Preços Recebidos pelo Produtor (IIPR), se aproximando do recorde registrado na seca de 2012. O indicador faz parte da inflação do agronegócio, mensurada pela Farsul. A variação cambial foi o principal impulsionador do resultado, que também reflete a estiagem. No Índice de Custos de Produção (IICP), em igual período, cresceu 3,41% . Os gastos exigem atenção pela tendência de valorização do petróleo.

Fetag-RS, fetaesc, fetaep, farsul e afubra assinam nota em que demonstram preocupação com o "desmonte do setor produtivo de tabaco". na lista estão fatores como estiagem, pandemia, rigor na classificação da safra e desligamento de produtores dentro do sistema integrado.

Resultado compartilhado

Os números do cooperativismo em 2019 mostram que o segmento mantém a curva de crescimento registrada ao longo dos últimos anos (veja acima). E se nos ingressos (termo que se refere ao faturamento) o percentual de avanço desacelerou, no quesito sobras (ou o lucro, no sistema convencional) a Organização das Cooperativas do Estado (Ocergs/Sescoop-RS) comemora recorde de R$ 2,4 bilhões, aumento de 11% sobre 2018. A quantia é revertida aos associados, de forma definida previamente.

– É um resultado fantástico – avalia Vergilio Perius, presidente do Sistema Ocergs/Sescoop-RS, que ontem foi o convidado do Tá na Mesa virtual, da Federasul.

Outros indicadores positivos, acrescenta o dirigente, são os ativos, que somaram R$ 76,4 bilhões, alta de 2,8%, e o patrimônio líquido das cooperativas, de R$ 18 bilhões, 14% maior do que em 2018.

– Isso mostra que têm investido muito – reforça Perius.

Sempre um motor do crescimento no setor, as cooperativas agropecuárias continuam respondendo pela maior fatia do faturamento. Em 2019, no entanto, foram o único dos sete ramos a ter queda.

– Está dentro da normalidade. O ano de 2018 foi quando o estoque de passagem foi decisivo no aumento dos ingressos, que cresceram 20%. É normal uma certa compensação. Até achamos que seria maior (o recuo em 2019), mas era previsto. Entendemos que, em 2020, em razão da estiagem e da pandemia, será complicado – observa Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS).

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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