CAMPO E LAVOURA – Primeira etapa da recomposição do Plano Safra na pauta do dia

Está prevista para hoje a votação no Congresso do projeto de lei complementar (PLN 4) que recompõe cortes no orçamento da União para este ano. Sem esse resgate, o Plano Safra ficava sob risco, porque programas de extrema importância, como o Pronaf, voltado à agricultura familiar, ficavam inviabilizados. A tesourada no texto, anteriormente aprovado, pela Casa, chegava a R$ 2,5 bilhões – e incluía a subvenção de linhas de crédito rural de custeio e de investimento. Pela proposta do governo, passam a ser reincorporados R$ 3,7 bilhões.

Para que isso ocorra, na prática, o primeiro passo é conseguir o aval de deputados e senadores. O que não deve enfrentar maiores dificuldades, diante do peso negativo que a retirada desses recursos tem sobre setor tão vital à economia – e que segue colhendo bons resultados mesmo em meio à pandemia. Há um consenso entre os parlamentares da necessidade de aprovação.

Como existem outros assuntos na pauta (vetos sem a mesma coesão), a análise do PLN pode ou não sair hoje. E, mesmo que a recomposição seja endossada pelo Congresso, esse é o primeiro passo no caminho para a liberação dos recursos.

O Ministério da Agricultura já trabalha mais intensamente na negociação com a pasta da Economia. Como o Plano Safra precisa passar pelo crivo do Conselho Nacional Monetário (CMN), que tem reunião marcada para o próximo dia 27, o pacote não deve sair antes.

A estimativa é de que o anúncio do montante e das condições do crédito rural para o ciclo 2021/2022 fique para o período entre 7 e 11 de junho, lembrando que o atual plano vale até 30 de junho. A partir de 1º de julho, vira o calendário dos financiamentos do setor com subsídio ou equalização federal.

– O PLN é prioridade da frente, porque já estamos em maio, e o próximo Plano Safra não pode atrasar – observa o deputado Heitor Schuch, presidente da Frente Parlamentar Mista da Agricultura Familiar.

Sem a recomposição, a própria pasta da Economia sinalizou, em audiência que tratou dos cortes, que o Plano Safra estava sob risco.

no radar

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) vai abrir as portas da sua biblioteca – de forma virtual. A instituição criou um aplicativo que dá acesso gratuito a mais de 170 cartilhas virtuais, com temas como fruticultura, bovinocultura e empreendedorismo. A ferramenta Estante Virtual da Coleção Senar está disponível para os sistemas iOS e Android. E permite uso no modo offline depois de baixado o título.

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A EMBRAPA UVA E VINHO TEM NOVO-CHEFE GERAL. O PESQUISADOR ADELIANO CARGNIN FOI ESCOLHIDO PARA OCUPAR O CARGO POR DOIS ANOS, PRORROGÁVEIS POR IGUAL POR MAIS DUAS VEZES. A POSSE VIRTUAL AINDA SERÁ MARCADA, MAS A GESTÃO JÁ SE INICIOU. DOUTOR EM GENÉTICA E MELHORAMENTO, ERA CHEFE DE PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E INOVAÇÃO DA UNIDADE, QUE FICA EM BENTO GONÇALVES.

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US$ 18,61 bi

é a receita das exportações brasileiras da agropecuária no acumulado até abril, conforme dados preliminares do Ministério da Economia divulgados ontem. A quantia representa avanço de 27,2% em relação a igual período de 2020. Entre os produtos que puxaram o desempenho está a soja, que teve alta de 25,68% no período. Apenas em abril, a oleaginosa gerou um faturamento 43,09% superior.

Carinho duplo

Impactada de maneira diversa e em fases diferentes em meio à pandemia, a produção de flores recobra o ânimo para que 2021 tenha um cenário mais positivo. E ganha um "fertilizante " extra com o Dia das Mães, comemorado no próximo final de semana. A data, de acordo com o Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), representa 16% do faturamento do setor em todo o país.

No Rio Grande do Sul, a perspectiva também é promissora, afirma Walter Winge, presidente da Associação Rio-Grandense de Floricultura (Aflori). Repetir o desempenho da data em 2020 é uma meta positiva, avalia. Porque, apesar de o ano ter sido difícil, com redução drástica de faturamento no segmento de flores de corte, como as rosas, por exemplo, o Dia das Mães foi de movimento intenso, com estoques sendo zerados e crescimento entre 30% e 40%. À época, a venda de flores foi uma das poucas atividades com autorização para funcionamento no período.

– Teremos mais concorrência neste ano. Por outro lado, as flores sempre estiveram presentes como sinal de alegria, conforto. As pessoas despertaram mais para esses produtos – diz Winge.

Opinião compartilhada por Kees Schoenmaker, presidente do Ibraflor. Flores de corte e outras plantas voltadas a ambientes internos estão com boas vendas. O cenário reflete tendência não só brasileira de "busca pelo verde":

– Ficou muito evidente desde o ano passado, quando as pessoas que ficaram confinadas nas suas casas, apartamentos, e foram atrás de plantas para melhorar o ambiente onde estavam vivendo.

Tanto que o setor das flores de vaso fechou 2020 com leve alta, de 5%, apesar das restrições. Em contrapartida, o de corte teve recuo de 30%. E segue em busca de alternativas já que a maior fonte de demanda, os eventos, seguem sem ocorrer.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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