CAMPO E LAVOURA – Previsão de La Niña não é vista como sinônimo de perdas

Produtor com quebra de safra tem medo da falta de chuva. É por isso que a previsão de registro de La Niña sempre acende um sinal de alerta no Rio Grande do Sul. O fenômeno que consiste no resfriamento das águas do Oceano Pacífico altera a dinâmica dos ventos e, para o Estado, tende a trazer como efeito a escassez de chuva, condição que sempre preocupa. Principalmente porque a expansão da fronteira agrícola tem se dado na direção sul do Estado, tradicionalmente mais seco do que a Metade Norte. Especialistas avaliam, no entanto, que o prognóstico não é, necessariamente, sinônimo de maus resultados.

Além disso, neste momento, a perspectiva é de La Niña de fraca intensidade, quando condições regionais costumam predominar em relação aos efeitos do fenômeno, observa Flávio Varone, meteorologista da Secretaria da Agricultura:

– Nem todo La Niña ou El Niño traz as consequências possíveis. A previsão é de que os meses de novembro e dezembro possam ter redução de chuva. Para o verão, a tendência não é, neste momento, alarmante.

O último La Niña foi na safra 2017/2018. Naquele ciclo, colheita, no geral, foi boa. Mas enquanto o Norte escapou praticamente ileso dos efeitos, a Metade Sul teve perdas.

De toda forma, as condições exigem atenção e planejamento. Os meses com chance de umidade reduzida coincidem com etapas importantes do desenvolvimento do milho. A perspectiva de La Niña e o cenário da pandemia acabam trazendo certa indefinição, avalia Ricardo Meneghetti, presidente da Apromilho-RS. Com base nas vendas de insumos e sementes, a entidade projeta manutenção ou leve aumento da área cultivada. Apesar dos riscos climáticos, o dirigente se diz otimista com o fato de o agricultor estar se convencendo da necessidade de irrigação para o cultivo:

– O milho compete com a soja. A expectativa é de que a gente consiga ir incentivando e conscientizando o produtor de que é possível se aproximar dessa rentabilidade.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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