CAMPO E LAVOURA | Preços do trigo antes e depois da safra

Os prognósticos para a produção de trigo no Brasil neste ano são todos favoráveis. Área e produção deverão crescer, revertendo o quadro de quebra registrado no ano passado. Cotações em patamares históricos e melhor relação de troca em duas décadas são outro motivo de entusiasmo para produtores depois de anos de frustrações. Mesmo com o esperado aumento de volume, as importações serão necessárias. A estimativa indica necessidade de compra externa de 6,2 milhões de toneladas, a serem adicionadas à produção, para dar conta da demanda. Isso faz da variação cambial fator importante na composição de preços, desde o produtor, passando pela indústria e chegando ao consumidor.

A desvalorização do real e alta do cereal na Argentina elevaram gastos das indústrias, afirma Rubens Barbosa, presidente-executivo da Abitrigo:

– Houve queda da rentabilidade dos moinhos, porque não repassaram todo o custo da farinha.

Em reais, o preço médio da tonelada chegou no último dia 29, conforme o indicador Cepea/Esalq para o RS, a R$ 1.224,57 mil, maior valor da série.

Esse viés de alta deverá ser revertido com a entrada da safra. Analista de trigo da Safras & Mercado, Jonathan Pinheiro observa que, por ora, a tendência é de estabilidade, sem grandes volatilidades. Em setembro, com a colheita, o preço deve começar a recuar, podendo a tonelada fechar o ano na casa de R$ 900.

– A projeção é de oferta maior na América do Sul. O mercado ficará de olho no clima – diz.

Com oferta praticamente inexistente do trigo nacional, é o importado que supre moinhos.

– Agosto e setembro serão os meses de preços mais caros do ano para a indústria – estima Diniz Furlan do Sinditrigo.

A variação e o efeito para o consumidor dependem de como cada empresa se organizou.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora