CAMPO E LAVOURA | Preço do leite no RS chega ao maior valor em 14 anos

No ritmo do comportamento do consumidor na pandemia, o preço do leite no Rio Grande do Sul engatou alta e chega neste mês com o valor projetado para o litro de leite em R$ 1,5082. É o maior em 14 anos, desde o início da série histórica do Conseleite, conselho paritário que se reúne mensalmente para apontar referência de preços pagos pela indústria aos produtores.

O cálculo é feito a partir de mix de produtos, que incluem leite UHT, em pó e queijos, em levantamento feito pela Universidade de Passo Fundo (UPF). Entre janeiro e agosto, o longa vida aumentou 19,34%. A muçarela, 20,46%. Só em agosto, ficou 6,31% mais cara.

– O mercado está aquecido. Nunca atingimos esse valor, o que é compreensível no momento atual. A dúvida é se essa valorização terá seguimento ao longo do ano – observa Marco Antonio Montoya, professor da UPF responsável pelo levantamento.

O presidente do Conseleite, Rodrigo Rizzo, avalia que os preços maiores devam se manter, mesmo com a entrada da safra – agosto e setembro são os meses de pico da produção gaúcha. A projeção reflete um dos fatores de sustentação da alta:

– Estamos tendo uma crise de oferta. As pessoas estão comprando, mudou o hábito de consumo da família.

A maior permanência em casa, em razão do distanciamento social, fez crescer o apetite por lácteos, reforçando a valorização. Cenário oposto do verificado no advento da pandemia. Na ocasião, o fechamento de restaurantes causou redução drástica no consumo de itens como queijo. Queijarias tiveram de direcionar até 40% do volume de leite captado diariamente para indústrias usarem na produção de UHT e leite em pó.

Com a retomada gradual e refeições preparadas nos lares, a curva mudou. Vice-presidente da Fetag-RS, Eugênio Zanetti vê a chance do produtor "recuperar um pouco do prejuízo amargado nos últimos anos":

– Esperamos que esse preço continue.

Por outro lado, custos também ficaram maiores. Grãos usados na alimentação dos animais têm tido valorização histórica.

– É um momento justo para o setor em função dos custos. Estamos no pico de produção e captação, e o preço está em patamar adequado, que reflete o cenário e o auxílio emergencial concedido pelo governo – afirma Alexandre Guerra, presidente do Sindilat-RS e vice do Conseleite.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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