CAMPO E LAVOURA | Preço do leite deve mudar de sentido em meio à entressafra

Depois de bater no fundo e estabilizar, o preço do leite tende a mudar o sentido daqui para a frente. A projeção é feita com base na sazonalidade da produção no Rio Grande do Sul. Março e abril são meses da chamada entressafra, quando o volume captado recua em torno de 25%. Habitualmente, essa redução na oferta costuma vir acompanhada da retomada no consumo, que cai nos meses de férias. São fatores que puxam para cima os valores.

O valor de referência ao produtor para março está projetado em R$ 1,3786 pelo Conseleite, conselho paritário que reúne o setor. É a quarta redução mensal seguida, mas já em um patamar de estabilidade – recuou 0,73% sobre o consolidado de fevereiro.

– Estamos entrando em um período de entressafra e, nos próximos dias, teremos uma redução mais acentuada da coleta de leite no campo. Isso deve impactar nos preços ao consumidor – projeta Alexandre Guerra, vice-presidente do Sindilat-RS e representante das indústrias no Conseleite.

O dirigente explica que, no período de redução da produção, os custos fixos da indústria aumentam, porque é preciso manter a mesma estrutura para processar um volume menor.

Tanto indústria quanto produtores apontam a necessidade de fazer frente ao aumento de custos, que têm desequilibrado as contas. Entre os itens de maior peso estão milho, fertilizantes e combustíveis. Outra influência negativa vem da variação cambial, que encarece insumos.

A amplitude desses aumentos tem anulado o novo patamar de preços do leite – o valor atual de referência ao produtor é 11,78% maior do que em igual período do ano passado.

– Não acompanha os custos. Só o milho subiu 130% e os fertilizante, 25%. A margem do produtor está cada dia mais achatada – observa Eugênio Zanetti, vice-presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).

Da mesma forma, Guerra pontua que os laticínios ficaram os dois primeiros meses do ano com prejuízo, por conta do gasto maior no momento em que o consumo arrefeceu:

– Dependemos da recuperação para sair do vermelho.

O retorno do auxílio emergencial traz a expectativa de efeito positivo, mas de alcance diferente visto que será menor. Com poder de compra reduzido, o consumidor vai focar em produtos que sejam mais em conta.

Influencer em série

Depois de conquistar as redes, somando 149 mil seguidores no Instagram, a relações públicas, produtora e empresária Camila Telles deu novo passo. A gaúcha de Cruz Alta viralizou ao fazer uma paródia de música da Anitta, trazendo como bandeira a defesa do agronegócio brasileiro. E agora quer mostrar o Outro Lado do Agro. A websérie, que hoje ganha o segundo episódio no YouTube, busca auxiliar no combate à desinformação sobre as ações do setor, reforça Camila.

2,2% é a nova projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agro para 2021, conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A estimativa anterior era de alta de 1,5%. Na produção vegetal, o destaque se dá pela nova safra recorde de soja. Na pecuária, a expectativa é de que haja expansão em todos os segmentos.

NO RADAR

No dia em que celebra 50 anos, a Organização das Cooperativas do Estado (Ocergs) receberá uma medalha da 55ª Legislatura da Assembleia Legislativa. A honraria foi proposta pelo deputado Elton Weber, presidente da Frencoop.

Em duas partes

Há duas partes a serem consideradas na composição dos resultados das exportações de ovos no primeiro bimestre deste ano. No país, o crescimento, tanto em quantidade quanto em receita, foi de três dígitos. E sinaliza a retomada do mercado externo, que perdeu espaço em 2020 para a demanda interna. O volume embarcado pelo Brasil, 1,27 mil toneladas, representa 150,6% a mais do que nos dois primeiros meses de 2020. E os US$ 4,13 milhões em faturamento, 152,8% a mais.

Esse regate de espaço do mercado externo é visto como uma ferramenta importante para ajudar a dar fôlego diante do aumento nas despesas.

– O saldo das vendas incrementa as divisas geradas pelo setor em um momento especialmente importante para o setor de ovos, com os fortes custos produtivos – pontua Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Após duas safras consecutivas de perdas no milho, importante insumo da ração animal, a ampliação das despesas é ainda mais acentuada no Rio Grande do Sul. O cenário tem levado as empresas de proteína animal a calibrar a produção. E essa pode ser uma das explicações para o Estado ter andado na contramão do resultado do país nas exportações de ovos. Houve recuo de 38% em volume e de 29% em receita.

– O Estado tem um único exportador (de ovos) que vem adequando a produção. Além disso, o Mato Grosso ampliou a fatia da produção de ovos destinada ao mercado externo – observa José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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