CAMPO E LAVOURA – Preço do arroz só deve ficar diferente com a nova safra

Ainda deve demorar cerca de um mês para que o arroz importado dentro da cota com tarifa zerada chegue ao mercado brasileiro. A derrubada do imposto, no início do mês, para a compra de países de fora do Mercosul tem como objetivo garantir o abastecimento. Mas enquanto esse produto não chega, a baixa disponibilidade e a disputa acirrada seguem alimentando altas nas cotações. A saca fechou ontem a R$ 106,24, maior valor da série Esalq-Senar-RS iniciada em 2005.

– O mercado segue firme, mas a gente via que, antes da retirada da TEC (tarifa externa comum), estava sem nenhuma referência, em escala exponencial. Agora, está subindo porque ainda se vê pouco produto disponível – avalia Tiago Barata, diretor-executivo do Sindicato da Indústria do Arroz do Estado.

Já há cargas negociadas com Estados Unidos, Guiana e Índia. A estimativa, diz Barata, é de que na segunda quinzena de outubro já entre arroz americano no Brasil.

– É mais para haver oferta, liquidez, do que realmente reduzir preços – reforça Gabriel Castagnino Viana, analista da Safras & Mercado.

A cota com isenção soma 400 mil toneladas, que poderão ser adquiridas até o final do ano, e atendem à demanda interna por menos de um mês. Viana acrescenta que, mesmo livre de imposto, o arroz de fora também terá custo elevado.

– O mercado não deve se alterar até a entrada da safra brasileira. Os EUA têm compromisso para atender com outros compradores e com o abastecimento interno. E o preço do arroz internacional está caro, além da questão da qualidade – pondera Alexandre Velho, presidente da Federarroz-RS.

Com o cenário posto, a redução de preços – inclusive ao consumidor – só deve chegar em 2021 -, ficando em torno de 5%, estima o dirigente, com quilo ficando em cerca de R$ 4.

A margem para reajuste depende de estoque (que deverá estar zerado), produção no país (a safra está sob definição), variação cambial (que deixou o cereal brasileiro competitivo) e demanda (o consumo cresceu em meio à pandemia).

– A princípio, os preços vão desacelerar a alta, se mantendo valorizados até a entrada da safra. Com a ampliação da oferta, é provável que o preço recue em março (de 2021).

Reacomodação não é, porém, retorno aos patamares antigos, que por vezes sequer cobriam os custos de produção.

Prevenção em pista

Além da preparação habitual, a disputa do Freio de Ouro precisou acrescentar cuidados sanitários na rotina. Para possibilitar a continuidade das classificatórias e o encerramento do ciclo de 2020, a prevenção contra a covid-19 entrou em pista. E não será diferente hoje, quando começam em Esteio, no parque Assis Brasil (foto), as provas de morfologia da grande final da competição.

– O desenvolvimento e cumprimento rígido do protocolo foram a parte mais importante para realizar o ciclo – confirma Francisco Fleck, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC), organizadora da prova.

Ao longo das classificatórias, foram feitos mais de 500 testes de covid-19. O uso obrigatório de máscara, medição de temperatura, acesso restrito a criadores, ginetes e equipe técnica e atuação de monitores, com a aplicação de questionários, estão entre as iniciativas adotadas.

– Os participantes se sentiram seguros – reforça Fleck.

Disputam o título do Freio de Ouro 96 conjuntos. A prova de morfologia avalia e valoriza características raciais importantes, como cerdas em abundância, boa estrutura óssea, bom relevo muscular, cabeça triangular e orelhas pequenas. Representa 37% da pontuação total, que soma as provas funcionais.

Até a tarde de ontem, 89 equinos ingressaram no parque. A Expointer deste ano, com parte das atividades presenciais e parte virtual, começa no sábado, dia 26, e vai até o dia 4 de outubro. Pessoas que precisam ficar instaladas no local são testadas para a covid-19 na entrada. Segundo o subsecretário José Arthur Martins, foram mais de 200 exames. E, amanhã, serão avaliados todos os terceirizados e produtores da agricultura familiar que estarão no drive-thru.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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