CAMPO E LAVOURA | Preço do arroz está no patamar recorde

O descompasso entre o alto custo de formação da lavoura e a baixa remuneração do produto se tornou uma queixa frequente entre os arrozeiros gaúchos nos últimos anos. Mas, em 2020, esse cenário ficou para trás. O preço do cereal no Rio Grande do Sul apresenta valorização de 32% desde o início do ano e se mantém com viés de alta, conforme o indicador do arroz em casca Esalq/Senar-RS.

Desde a segunda quinzena de maio, quando a colheita se encaminhava para o final no Estado, a saca de 50 quilos não baixa dos R$ 60. Ontem, atingiu recorde nominal de R$ 63,64 na série histórica iniciada em 2005. O presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), Alexandre Velho, enfatiza que, depois de quatro anos, a cultura voltou a atingir um ponto de equilíbrio. Isso porque a estimativa é de que, para não ter prejuízo, o produtor precisa vender o grão acima de R$ 50 por saca.

– Esse novo patamar de preços passa pela diminuição da área plantada, pelo aumento de consumo nos produtos não perecíveis durante a pandemia e também por fatores externos. O câmbio elevado trouxe maior competitividade para o arroz brasileiro no mercado internacional – explica Velho.

Neste ano, o Estado colheu 7,7 milhões de toneladas em 934 mil hectares, segundo dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga). O volume representa cerca de 70% da produção nacional. A área plantada no ciclo foi a menor em duas décadas, o que acabou deixando a oferta ajustada à demanda atual. Ao mesmo tempo em que o consumo interno se manteve em alta em meio ao distanciamento social, os pedidos externos vêm aumentando. Com o arroz gaúcho, o Brasil passou a mirar mercados como México e Panamá.

O diretor técnico do Irga, Ivo Mello, avalia que a perspectiva de preços continuará favorável no decorrer do ano. Mesmo com o momento positivo da atividade, o dirigente recomenda que os agricultores sejam cautelosos.

– Tem muito arrozeiro querendo aumentar a área na próxima safra, mas temos dito para o pessoal ir com calma e não se enganar. O preço da saca subiu, mas o custo de produção também – pontua.

Apesar da recomendação pela manutenção da área cultivada, Mello estima que o plantio terá leve incremento no próximo ciclo, mas ainda ficando abaixo de 950 mil hectares.

6,2 mil trabalhadores

em frigoríficos do Rio Grande do Sul já foram diagnosticados com covid-19, aponta o Ministério Público do Trabalho no Estado (MPT-RS). Os casos ocorreram em 39 plantas gaúchas, em 29 municípios. Até o momento, houve cinco óbitos de empregados do setor e 12 mortes de pessoas próximas aos funcionários infectados.

No radar

A nuvem de gafanhotos segue se deslocando na província de Corrientes, na Argentina. Atualmente, ela se encontra a 160 quilômetros de Uruguaiana e a 120 quilômetros de Barra do Quaraí, na fronteira com o Rio Grande do Sul.

Campanha promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) arrecadou cerca de R$ 315 mil em ações beneficentes voltadas ao combate dos efeitos da pandemia de coronavírus. Com os recursos, serão distribuídas cestas básicas, cobertores e equipamentos de proteção individual (EPIs) na região de Esteio e cidades vizinhas.

Aprovação com ressalvas

Em assembleia realizada ontem pelo Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas de Fundações Estaduais do Rio Grande do Sul (Semapi), servidores da Emater aprovaram com ressalvas a proposta de acordo coletivo oferecida pelo governo do Estado. A decisão foi tomada por 595 trabalhadores, totalizando 93% dos votos.

Ainda que alguns pontos defendidos pelo sindicato, como a manutenção da licença maternidade em seis meses, tenham sido contemplados, a diretora do Semapi, Cecília Bernardi, lamenta a retirada dos anuênios e decênios no plano de cargos e salários. A manutenção era uma das principais pautas defendidas pela categoria, que admitia o congelamento de benefícios por dois anos.

– Fomos praticamente obrigados a aceitar a proposta, mas estamos registrando em ata que não concordamos com a retirada desse item – explica.

Diante deste cenário, o Semapi defendeu a aprovação com ressalvas para que posteriormente os trabalhadores possam ajuizar ação contra a alteração, que teria de passar por uma comissão paritária. Outro ponto de questionamento é a retirada da multa por atraso no pagamento dos salários.

O presidente da Emater, Geraldo Sandri, salienta que a retirada de anuênios e decênios é uma diretriz do governo adotada com outras fundações.

– Foi uma decisão do GAE (Grupo de Assessoramento Especial). A diretoria concedeu os pedidos, com algumas exceções. Entendo que o funcionalismo foi valorizado – argumenta.

FERNANDO SOARES | INTERINO

Fonte: Zero Hora

Compartilhe!