CAMPO E LAVOURA – Preço do arroz deve se manter aquecido em 2021

Na arrancada da colheita do arroz no Rio Grande do Sul, produtores esbanjam otimismo poucas vezes visto nos últimos anos. Isso porque a safra de 2021 começa a ser retirada das lavouras com projeção de boa remuneração. O preço da saca não deve baixar de R$ 85, aponta a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), quase o dobro do verificado na largada dos ciclos produtivos recentes.

Para o consumidor final, o presidente da entidade, Alexandre Velho, estima que o produto seguirá sendo vendido nas gôndolas dos mercados em patamar semelhante ao verificado em 2020, entre R$ 4 e R$ 5 por quilo. No ano passado, o dólar valorizado aqueceu a exportação do produto, levando a saca a se fixar acima dos R$ 100 por três meses. Ao mesmo tempo, o auxílio emergencial manteve a demanda interna por alimentos aquecida. A alta se refletiu no preço final do produto e assustou o consumidor.

– Esse novo patamar do arroz veio para ficar, tanto para o produtor quanto para o consumidor. O arroz a R$ 4, R$ 5 o quilo ainda é um produto acessível, ele tem peso pequeno (no orçamento das famílias) se comparado aos outros produtos da cesta básica – avalia Velho.

Fatores que impulsionaram a cotação do cereal no ano passado seguem presentes e alimentam as projeções de negócios. O dólar ainda alto em 2021, acima dos R$ 5,40, novamente traz perspectivas positivas para as vendas externas. Velho estima que a exportação fique em 1,5 milhão de toneladas, enquanto a importação se mantenha em 1 milhão de toneladas. No ano passado, o Brasil comercializou 1,7 milhão de toneladas do grão no Exterior e importou 1,2 milhão de toneladas.

Ao mesmo tempo, o RS, responsável por 70% da produção nacional, deverá colher safra similar ou até abaixo da passada. Em 2020, a produtividade das lavouras atingiu recorde de 8,4 mil quilos por hectare, em uma área de 936 mil hectares. Desta vez, apesar de estimativa de incremento da lavoura em 3,5%, a produtividade deverá ficar dentro da média, em torno de 8 mil quilos por hectare.

– Tivemos problemas pontuais pela estiagem na Região Central, com o déficit hídrico impactando as barragens, e isso deverá diminuir a produtividade – indica Ivan Bonetti, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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