CAMPO E LAVOURA – Prejuízos com a deriva

Quebra entre 35% e 40% na safra de uva, um milhão de garrafas de vinho que deixarão de ser produzidas e prejuízo de R$ 200 milhões na safra 2020/2021. Esse é o balanço parcial que a Associação Vinhos da Campanha Gaúcha faz sobre os impactos causados pela deriva do herbicida 2,4-D nos parreirais da região.

A conta é baseada nos relatos coletados em 16 propriedades da Campanha, com aproximadamente 350 hectares de vinhedos. Segundo o presidente da associação, Valter Pötter, os produtores têm laudos da Secretaria da Agricultura que confirmam rastros do produto químico nas videiras. Hoje, a entidade deverá concluir a conta dos prejuízos, incluindo as perdas relatadas pelas grandes vinícolas.

O 2,4-D é utilizado por produtores de soja para eliminar o inço antes do plantio. No entanto, a má aplicação do produto e a pulverização em condições climáticas inapropriadas podem fazer com que ele seja carregado pelo vento e atinja outras plantações nas proximidades. Nas videiras, os impactos podem ser notados em folhas retorcidas (foto), abortamento de flores e nascimento desuniforme dos cachos.

Mesmo com a adoção de instruções normativas pelo governo estadual e a realização de treinamentos para sojicultores nos últimos anos, o problema persiste pela terceira safra consecutiva.

– Tem produtores que estão arrancando os vinhedos e parando com a atividade. É um projeto de gerações, todo um investimento grande na agroindústria e no turismo rural que se perde – lamenta Pötter.

Amanhã, a associação realiza reunião para decidir como reagirá à situação.

– Esgotamos todas as instâncias administrativas e públicas. Não é mais possível seguir com esse quadro – diz.

FERNANDO SOARES | INTERINO

Fonte : Zero Hora

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