CAMPO E LAVOURA – Plano Safra: presente e futuro no mesmo lugar

Preocupante, sim. Surpresa, não. A determinação do Tesouro Nacional para que as contratações de financiamentos do atual Plano Safra sejam suspensas era cogitada diante dos cortes do orçamento federal para 2021. Em audiência pública no mês passado, Rogério Boueri, subsecretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais do Ministério da Economia, deixou claro que a redução das cifras contida no texto aprovado pelo Congresso comprometia não só o próximo, mas também o atual pacote.

Isso porque há participação de recursos da União na equalização de juro. Sem a garantia de que virão, melhor apertar o pause, evitando assim que as contas não fechem. O problema é que o pacote em vigor tem pouco mais de mês e meio ainda pela frente – se encerra no dia 30 de junho.

O principal impacto deverá ser sentido por produtores familiares. É o que avalia Claudio Bier, presidente reeleito para novo mandato à frente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Estado (Simers):

– Todos os bancos, inclusive o BNDES, estão oferecendo linhas para máquinas com juro competitivo (além do Plano Safra). Mas o agricultor familiar depende muito dos financiamentos do Pronaf.

A solução passa pelo mesmo endereço de onde se espera a recomposição: o Congresso. O projeto de lei que resgata os valores – e pode retomar as contratações e permitir a costura do novo Plano Safra – espera por apreciação dos parlamentares. Reunião para tratar de convocação de sessão, está prevista agora para próxima segunda-feira.

Sauditas suspendem 11 frigoríficos

Segundo maior comprador de frango do Brasil, a Arábia Saudita comunicou a suspensão de 11 frigoríficos brasileiros. A medida gerou repercussão, com os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura, bem como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

Em nota conjunta, os órgãos federais salientam que "não houve contato prévio" nem a apresentação "de motivações ou justificativas"para a ação, recebida com "surpresa e consternação".

Reiterando "os elevados padrões de qualidade e sanidade" seguidos e manifestando confiança no atendimento dos requisitos, os ministérios informam já ter iniciado contato com os sauditas.

A ABPA reforçou o compromisso na parceria estratégica com a Arábia Saudita, "apoiando no suprimento da oferta de alimentos deste que é um dos mais longevos mercados importadores do produto brasileiro".

A contribuição do arroz para o RS

O Instituto Rio Grandense de Arroz (Irga) acaba de divulgar o ranking das 60 indústrias com as maiores arrecadações em 2020. Esse grupo, que soma 78 unidades ativas, responde por 86,96% do total que foi recolhido no último ano. Os outros 13,04% provêm das demais empresas e cooperativas, com 143 unidades.

A relação é feita com base nos dados da Secretaria da Fazenda referentes ao pagamento da Taxa de Cooperação e Defesa da Orizicultura (CDO) paga no beneficiamento e na exportação.

O critério foi modificado no ano passado e embasou a elaboração da lista de 2019 e de 2020 – antes, era com base no beneficiamento. Os valores absolutos não são divulgados, apenas a participação percentual.

A lista (veja quadro acima com parte delas) mostra que as 15 indústrias com maior arrecadação da taxa respondem por 51,57% do total. As cinco primeiras, por 31,27% e a que está no topo, a Camil, por 14,4%.

Diretor comercial do Irga, João Batista Gomes explica que a instituição tem entre suas atribuições trabalhar questões relacionadas a mercado, razão pela qual o ranking é elaborado.

– É uma ferramenta que as empresas beneficiadoras usam muito em suas gestões – acrescenta Gomes.

As maiores

A lista das 10 primeiras empresas de arroz com a maior arrecadação (e o % que representam do total)

Camil Alimentos S (14,4%)

Josapar (7,35%)

Pirahy (3,27%)

Urbano Agroindustrial (3,23%)

Arrozeira Pelotas (3,02%)

Glencore Impra e Expra (2,71%)

Cotrisel (2,46%)

Engenho A.M. (2,24%)

Nelson Wendt e Cia (2,06%)

Cooperja (1,97%)

87%

é o percentual da área de soja colhida no RS, aponta a Emater, avanço de sete pontos percentuais sobre a última semana. Em duas regionais, o trabalho foi finalizado: Erechim, com produtividade média de 3.720 quilos por hectare, e Passo Fundo, com 3.650 quilos, ambas acima da estadual.

A prefeitura de General Câmara, na Região Carbonífera, fará hoje uma atualização dos dados referentes ao surgimento de piranhas vermelhas no Rio Jacuí. Novas medidas a serem adotadas também devem ser divulgadas. ontem, a invasão biológica dessa espécie, que é nativa da bacia do rio uruguai e tem trazido prejuízos aos pescadores, foi pauta de audiência pública virtual da comissão de agricultura da assembleia legislativa, a partir de proposta do seu presidente, adolfo brito.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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