Campo e Lavoura : Pesquisadores prometem batatas mais produtivas

 

Novas cultivares e uso de mudas saudáveis maior qualidade e rentabilidade

Pesquisadores prometem batatas mais produtivas Luis Suita/Divulgação Embrapa

Batata-doce BRS Fepagro Viola rendeu até 80 toneladas por hectare, projeto faz parte de programas de melhoramento Foto: Luis Suita / Divulgação Embrapa

Mudas mais fortes e saudáveis e plantas aprimoradas prometem mais produtividade nas lavouras de batatas. A Emprapa Clima Temperado e a Fepagro Vale do Taquari, através de programas de melhoramento do tubérculo, lançam cultivares e estimulam a adoção de técnicas para multiplicar sementes nas propriedades.Uma nova cultivar de batata-doce foi apresentada na semana passada, durante a Expoagro-Afubra, em Rio Pardo: a BRS Fepagro Viola, desenvolvida por meio de trabalho conjunto entre as duas instituições. Testes indicaram que a variedade apresenta produtividade de 60 a 80 toneladas por hectare, o dobro da comum, que fica entre 30 a 35 toneladas por hectare.

Outro diferencial da cultivar é a diversidade no tamanho da raiz, que pode ter pesos diversos – uma unidade pode variar de 500 gramas a 4 quilos – tem diferentes aplicações. É própria para consumo humano, animal e produção de biocombustível. De acordo com Zeferino Chielle, pesquisador da Fepagro Vale do Taquari, a variedade foi identificada após testes em mais de 50 clones. Durante a seleção foi realizada uma limpeza viral e bacteriológica dos materiais mais promissores.

Destaque pelo rendimento

Em três anos de testes, incluindo plantação experimental, a BRS Fepagro Viola se destacou por seu rendimento e características de sanidade e agronômica. Obteve média superior a 3 quilos por planta, o que indica produção de 75 toneladas por hectare em lavouras corretamente conduzidas. Na atual fase, os pesquisadores estão credenciando os viveiristas, entre os quais, a própria Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). A previsão é que a Viola esteja disponível aos produtores em cinco meses. 

Produtores são estimulados a utilizarem toda planta

Folha da batata-doce pode ser utilizada para salada, no cado da Viola, contém 16% de proteínaFoto: Luis Suita / Divulgação Embrapa

Quem pensa que se pode aproveitar somente a raiz de uma batata está equivocado. As folhas, no caso da BRS Fepagro Viola, têm 16% de proteína e servem para salada ou para elaboração de farinha para alimentação humana ou ração animal, assim como o caule.

– Por desconhecimento e falta de manejo, toda a parte aérea hoje vai fora – explica Zeferino Chielle, pesquisador da Fepagro Vale do Taquari.

Chielle detalha que entre os projetos para disseminar a utilização da batatadoce na ração animal, a Fepagro vem realizando palestras para ensinar os produtores de frango caipira a aproveitarem o tubérculo na alimentação das aves em função de seu alto valor nutricional.

Outra aplicação é na produção de biocombustível. Com 33% ou mais de amido em sua composição, a BRS Fepagro Viola produz mais que o dobro de álcool do que a cana, segundo o pesquisador. Testes apontam que uma tonelada de cana-de-açúcar rende no máximo 100 litros de álcool, enquanto uma tonelada de batata-doce produz de 160 a 180 litros de álcool.

– O processo para produzir biocombustível a partir da batata-doce é parecido com a cana, são necessárias apenas adaptações. Além disso, a cana demora 12 meses para a colheita, enquanto a batata de quatro a seis meses, rendendo duas produções no ano – detalha.

Atualmente, o maior produtor de batata-doce do Rio Grande do Sul é Mariana Pimentel, no Centro-Sul. O município produz até mil caixas por cultivo (a maior parte planta dois cultivos), gerando 20 toneladas de batatas para venda e 20 toneladas de resíduos (considerando-se apenas o tubérculo). Daí a importância de conscientizar e ensinar o agricultor a buscar mais eficiência.

– Não precisa plantar mais, mas aproveitar melhor o que se planta – considera Chielle.

Características da BRS Fepagro Viola
Aspecto: forma alongada, casca rosada escura e polpa na cor creme.
Sabor: É levemente adocicada, mas menos doce que a batata-doce tradicional (amélia).
Composição: 16% de proteína e entre 33% e 37% de amido
Tamanho da raiz: varia, uma unidade pode ter 500 gramas, 1 quilo ou até 4 quilos. As maiores são propícias à produção de energia e as menores para alimentação humana e animal

Mudas fortese saudáveis

Colheita de sementeiro estimula o cultivo de plantas com mais qualidadeFoto: Paulo Lanzetta / Divulgação Embrapa

Outro projeto da Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, de limpeza viral das sementes de batatas, vem produzindo mudas de maior qualidade. Por meio do Programa de Melhoramento da Batata, foi feito um trabalho de melhoramentos nas mudas e agora a Embrapa passou a fornecer matrizes para sementeiros.

Os sementeiros servem como multiplicadores das matrizes. Arione Pereira, pesquisador da Embrapa, orienta que sejam cultivados em locais isolados, longe de insetos e vírus – podem ser pelo sistema de hidroponia ou vasos –, ou em solos que ainda não foram utilizados em outras plantações.

– Como a semente da batata tem um grande impacto na qualidade, produtividade e, consequentemente, no custo de produção, é fundamental ser saudável – afirma Pereira.

O valor de um saco de 25 quilos da semente de qualidade custa R$ 60. As sementes podem ser multiplicadas por sete, plantando novamente. Com isso, o rendimento de uma lavoura de um hectare pode chegar a 2 mil quilos.

– Com uma boa semente, associada a um manejo adequado e condições meteorológicas favoráveis, é possível produzir sem pesticidas ou com uso mínimo – afirma o pesquisador.


Fonte : Zero Hora

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