CAMPO E LAVOURA | Peso do resultado histórico vai além do volume a ser colhido

Com grandes produções e safras recordes, como a agora estimada para a soja no balanço final da Emater, vêm grandes responsabilidades. Primeiro, porque eleva-se a régua de comparação. Daqui para a frente, essa será a referência do resultado que é possível obter: mais de 20 milhões de toneladas.

Ainda que exista uma grande área pela frente (veja abaixo), a colheita farta alimenta a perspectiva de que o agricultor gaúcho possa, finalmente, ter chance de aproveitar a valorização da commodity. No ano passado, quando o grão engatou patamares históricos de valorização, a produção, encolhida pela estiagem, já tinha sido negociada.

– O clima depois do plantio ficou bom. Não há perdas significativas. E temos o crescente uso de tecnologia. Devido à possibilidade de renda, o produtor usou tecnologia – reforça Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro-RS).

E o bom resultado colhido inclusive na Metade Sul, como apontou a coluna na edição de ontem, é outro ingrediente que traz um peso diferente para esse resultado. A nova fronteira agrícola da soja, historicamente mais seca, ainda fica aquém do rendimento na Metade Norte, mas reduz a diferença à medida que combina tecnologia com a boa vontade de São Pedro. E mostra que é preciso seguir atento às particularidades de solo e manejo para que se possa evoluir.

– É uma região de muito risco (pelo clima). Para fazer lavoura lá, tem de ter muito mais conhecimento agrícola – diz Alencar Rugeri, diretor-técnico da Emater.

Décio Teixeira, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado (Aprosoja), acrescenta que, ano a ano, os resultados nas novas áreas de produção vêm melhorando. E acrescenta que o cultivo em áreas de arroz ajuda no rendimento da soja:

– Quando o ano não é muito chuvoso, ficam extraordinárias, com alto rendimentos, áreas de várzeas. Os arrozeiros são muito hábeis nos plantios.

Segundo o Irga, neste ciclo há 360 mil hectares de soja em rotação com o arroz.

– Clima mais competência é igual a 20 milhões de toneladas -resumiu Rugeri, sobre o que, além do tempo, fez a diferença nesta safra.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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