CAMPO E LAVOURA – Para Fetag, momento mostra necessidade de estoques públicos

A preocupação com os desdobramentos da escassez da oferta de milho, um dos combustíveis da alta nos custos de produção, faz a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS) cobrar políticas de estoques públicos.

– O momento está mostrando que o país precisa ter, sim, um olhar para o estoque. Olhando estrategicamente para a alimentação interna e para a produção de proteína animal, o governo tem de entrar nos estoques públicos – disse o presidente Carlos Joel da Silva, no balanço da entidade.

A avaliação vem por conta da crise vivida na pecuária de leite do Estado. A combinação de perdas, baixa oferta e qualidade de silagem, estoques de grãos insuficientes e pastagens igualmente prejudicadas pelo tempo seco pressionam os desembolsos. O valor pago ao produtor subiu em 2020: 35,8%. E, até dois meses atrás, vinha em patamar considerado justo, pontua Eugênio Zanetti, vice-presidente da entidade. Em contrapartida, a ração subiu 35,6%; os fertilizantes, 14,5%; medicamentos, 12%; e materiais plásticos e borrachas, 45%.

– Muitas propriedades estão reduzindo o plantel porque não têm o que dar de comer aos animais. Isso gera um momento de muita insegurança – diz.

Incertezas à vista em 2021, com o fim do benefício do auxílio emergencial, variação cambial e efeitos do tempo sobre a safra, ampliam a apreensão de agricultores familiares.

– Mais do que regulador, o estoque é uma questão de soberania alimentar – acrescenta o tesoureiro Agnaldo da Silva.

Dos programas existentes, o Milho Balcão (com frete subsidiado para trazer o produto de locais com estoque) tem tido, segundo a Fetag, alcance limitado por ter só três pontos (Marau, Erechim e Cruzeiro do Sul). Um quarto, em Santa Rosa, está em processo de cadastramento (segundo a Conab, em fase final). Até agora, foram 15 mil toneladas destinadas ao Estado. Mais 5 mil estão a caminho.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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