CAMPO E LAVOURA – Os resultados das análises de resíduos em produtos da Ceasa

A Centrais de Abastecimentos do Estado (Ceasa) divulgou ontem os resultados das análises de resíduos de agrotóxicos em produtos coletados no último ano, dentro da iniciativa do programa Alimento Seguro. De 101 amostras, 72% foram consideradas satisfatórias, ou seja, estavam dentro das conformidades da legislação, e 28%, insatisfatórias. Em razão da pandemia, que impactou a atividade de diversos segmentos, incluindo os laboratórios, o universo pesquisado foi inferior ao dos três anos anteriores.

Em que pese os dados sejam de amostras diferentes, a direção da Ceasa pontua a melhora do cenário, reflexo do conjunto de ações realizadas entre 2018 e 2020. Nesse período, o índice de amostras satisfatórias foi de 61% em 2018 (de um total de 246) e de 66% em 2019 (de um total de 197).

– Deixamos de só analisar e punir e passamos a capacitar os produtores – afirma Ailton dos Santos Machado, presidente de Ceasa.

Ele cita quatro seminários regionais e o treinamento de 2,2 mil pessoas, pela Emater, como parte desse processo, iniciado em 2017 com a criação do grupo de trabalho interdisciplinar Alimento Seguro, que hoje soma 15 integrantes, entre órgãos oficiais e entidades.

A criação de normas, permitiu um sistema de medidas a serem adotadas caso uma inconformidade seja detectada, que vão de curso de boas práticas a suspensão da comercialização por período que pode chegar a um ano. O conjunto de ações da iniciativa gaúcha foi indicado ao Ministério da Agricultura para que seja modelo no país.

Das amostras de 2020 que foram classificadas como insatisfatórias, nenhuma continha agrotóxico de uso proibido e 82% eram de produto sem registro para a cultura em que foram aplicadas – as culturas de apoio fitossanitário insuficiente. Segundo Machado, sempre o maior problema identificado nas análises.

Em 2016, reportagem do GDI, do Grupo RBS, apontou que de 20 amostras encaminhadas para análise, nove (ou 45%) apresentavam resíduos (nível acima do permitido pela lei, não autorizados para a cultura, proibido ou sem registro).

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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