CAMPO E LAVOURA – Os números, a realidade da safra e o novo pedido de socorro

Se no Rio Grande do Sul os impactos da estiagem ganham amplitude dia após dia com a falta de chuva, nas projeções da safra os efeitos ainda não retratam perdas relatadas no campo. Novo levantamento da Emater deve ser apresentado hoje, em reunião com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em Brasília. Traz perspectiva revisada do cenário apresentado na semana passada, na Expodireto-Cotrijal, em Não-Me-Toque. E servirá de argumento para tentar convencer o governo federal a estender a mão aos produtores gaúchos. O principal pedido é para renegociação dos financiamentos de custeio.

O problema enfrentado pelo Estado também não aparece nos dados da produção nacional de grãos. Tanto Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) quanto IBGE seguem apontando colheita recorde no ciclo 2019/2020, conforme divulgação no dia de ontem.

Esse descompasso tem relação, em parte, com o período de coleta de informações. No Estado, por exemplo, o levantamento da Conab refere-se ao final de fevereiro. E, de lá para cá, a coisa só piorou. Tanto que novo relatório será feito ao longo da semana com o objetivo de subsidiar o Ministério da Agricultura.

No levantamento de ontem, a estimativa era de recuo de 12% na produção de soja em relação à safra do ano passado, com produção estimada agora em 16,88 milhões de toneladas. No milho, a queda em igual período de comparação soma 20,5%, com 4,58 milhões de toneladas. No volume total, incluindo o trigo, o Estado deverá colher 31,8 milhões de toneladas, redução de 10,7% com volume do ciclo anterior.

Os prognósticos do tempo ampliam a preocupação nas lavouras. A chuva está fora do radar no momento em que é mais necessária à soja.

– E não será só a perda em volume, mas também em qualidade – diz Carlos Bestétti, assistente da superintendência da Conab no Estado.

Presidente da Aprosoja-RS, Décio Teixeira completa:

– O grão está disforme e muito leve. Tem muita gente querendo ver como vai se resolver essa questão.

No levantamento do IBGE, os prejuízos ainda não aparecem, com volume de soja estimado em 19,26 milhões de toneladas. Produtores estimam que o encolhimento da safra estaria na casa de 30%, podendo chegar a 40%. A Região Central é apontada como uma das mais impactadas pelo tempo seco.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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