CAMPO E LAVOURA | Os fatores que aproximam a soja de nova marca no Estado

É com base em dois ingredientes que se alimentam as apostas de que o Rio Grande do Sul chegue, neste ano, a uma nova marca na produção de soja, com mais de 20 milhões de toneladas. A Emater apresenta hoje a estimativa final da safra de verão, com números mais próximos do retrato atual e que devem reforçar a perspectiva de volume histórico.

No primeiro levantamento do ciclo, apresentado em setembro do ano passado, a instituição trabalhava com a perspectiva de 18,95 milhões de toneladas. No final do ano, em seu balanço, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) deu um passinho à frente, ao estimar uma colheita de 19,85 milhões de toneladas, a partir de dados do IBGE. Daquele início de ciclo para este momento, a distância entre as condições de tempo é enorme, o que traz essa diferença também em relação ao resultado.

No mês passado, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), já revisava para cima suas estatísticas, apontando aquele que pode ser o maior volume colhido de soja do Estado. A conta que leva a esse resultado tem como fatores área e rendimento por hectare.

– É alicerçada em cima de produtividade. Não acredito que produtor não faça média de 55 sacas por hectare – pontua Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecogro).

Rendimento possível depois de uma virada do clima. A falta de chuva do início, que atrasou todo o ciclo da soja e trouxe perdas consolidadas ao milho, deu lugar a um mês de janeiro de chuva acima da média. Foi a dose necessária para que se retomasse o otimismo, depois da quebra que reduziu em mais de 40% a produção em 2020.

E é da nova fronteira do grão, a Metade Sul, que vem outro fator positivo. Tradicionalmente uma região mais seca, o que lhe impõe resultados diferentes, neste ciclo tem tido tempo favorável.

– Estamos no início da colheita, mas a perspectiva é boa. A expectativa é de 50 sacas para cima – pondera José Roberto Pires Weber, presidente do Sindicato Rural de Dom Pedrito, município da Campanha que tem cerca de 120 mil hectares de soja.

Enquanto as máquinas seguem o trabalho, ninguém dá o resultado por garantido. No campo, não se usa a palavra supersafra, no máximo uma "boa safra" – até porque sempre podem haver prejuízos pontuais. Mas quando cai a "chuvinha final" se reidrata a chance de ter uma combinação de volume e preço bons.

DNA da terra

Usando a mesma técnica do exame para diagnóstico de covid-19, o PCR, uma startup de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, analisa o DNA do solo com o objetivo de ajudar produtores a melhorar a produtividade das lavouras. Incubada no parque científico e tecnológico da Unisc, a ConnectBio planeja dar início ao projeto, com estudo para ampliar de duas para quinze a quantidade de enzimas a serem analisadas, no próximo mês. O objetivo é mapear fungos e bactérias presentes e entender se beneficiam ou prejudicam as atividades agrícolas.

– Trabalhamos com produtores de alto nível tecnológico já e começamos a ver que simplesmente fazer a correção química e física (do solo) não estava mais trazendo resultado em produtividade para esse agricultor – conta Rodrigo Franco Dias, CEO da startup.

Ele aponta ainda o aspecto sustentável da proposta, a partir da solução biólogica, sem uso de químicos. E à medida em que essa atividade natural auxilia no desempenho da cultura, mais a planta retira gás carbônico do ambiente e fixa no solo, contribuindo para a redução de gases associados ao efeito estufa e ao aquecimento global.

Para acessar o DNA do solo é utilizada a técnica PCR. Por meio desta análise e das enzimas, o CEO esclarece que será possível comparar os microrganismos existentes em um solo equilibrado, como o de uma mata, por exemplo, com o de uma lavoura. E a partir daí elaborar as estratégias:

– Vamos fazer recomendações para que esse agricultor possa usar sistemas de produção diferentes, que melhorem a atividade biológica do solo ou que estimulem isso. Além de recomendar o uso de microrganismos aplicados no solo para potencializar esse resultado.

Os projetos serão feitos em parceria com a Central Analítica da Unisc e com a ConnectFarm, responsável por gerar a demanda comercial de análises de solo.

Sai em abril a próxima etapa do projeto para elaborar um programa de desenvolvimento da agropecuária gaúcha. Divididos em quatro grupos (cereais de inverno, integração lavoura-pecuária, milho e qualidade de grãos) técnicos e pesquisadores se debruçarão sobre o tema. A proposta vem sendo trabalhada por Farsul, Embrapa, ABPA, Fecoagro/R, Asgav e empresas privadas.

R$ 120 milhões

é o investimento que a alemã Horsch fará no Brasil para erguer, em Curitiba (PR), a primeira fábrica na América do Sul. Há sete anos no mercado brasileiro, produz equipamentos para a produção – e acaba de apresentar oficialmente três novidades. Instalada em área de 18 mil metros quadrados, gera 120 empregos diretos e mil indiretos. Na primeira fase do projeto, já aplicou R$ 50 milhões.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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