CAMPO E LAVOURA | Oriente Médio alimenta as exportações de carne do Brasil

Os números não deixam dúvidas: a demanda mundial por carnes cresce na direção leste. Com a China como expoente na Ásia, o continente tem ainda outros espaços importantes – um deles, o da região do golfo. A partir de amanhã, Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, recebe um time de indústrias brasileiras do setor para participar da Gulfood 2020, uma feira de alimentação.

Ao longo da semana, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, também comemorou a reabertura das portas do Kuwait, país visitado por ela no ano passado, para a carne bovina brasileira.

Esses movimentos refletem o cenário atual da proteína animal. Levantamento da assessoria econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), com base em dados do Ministério da Economia, mostra que a receita das exportações do Brasil (somando bovinos, aves e suínos) para o Oriente Médio cresceu quase oito vezes na comparação de 2019 com 2000. No período, passou de US$ 362 milhões para US$ 3,25 bilhões. A União Europeia, que era o maior importador, caiu para a última posição entre os destinos considerados (Ásia, Oriente Médio, Américas e o bloco).

– A Ásia e o Oriente Médio começaram a comprar produtos que antes não consumiam. E isso foi possível com a melhora da renda per capita – explica Danielle Guimarães, economista da Farsul.

A região é um dos principais destinos da carne de frango, com 34,5% dos embarques. É a maior compradora de ovos – 64,1% do total.

– O Brasil é o maior exportador mundial de frango halal (sistema de produção específico que atende às regras islâmicas) – reforça Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal.

A carne suína começa a ganhar espaço em razão dos turistas que visitam a região – a população local não consome a proteína por questões religiosas.

– É um mercado indispensável. Hoje, 40% da carne bovina brasileira é importada por países árabes – reforça Antonio Camardelli, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes.

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora