CAMPO E LAVOURA – Onde o frio é bem-vindo

A onda de frio intenso prevista para vigorar na Região Sul pelos próximos dias não será problema para os fruticultores gaúchos. Isso porque a baixa temperatura é benéfica para o desenvolvimento das frutas de clima temperado, como a uva.

– No momento, é só felicidade – diz o engenheiro agrônomo da Emater/RS-Ascar, Enio Ângelo Todeschini.

Ele explica que o frio agora, no auge no inverno, é bem-vindo. A preocupação passa a ser com episódios tardios, com ocorrência de geada a partir da metade de agosto e setembro.

– O receio é se repetir o que aconteceu em 2015, quando a geada alta em setembro levou dois terços da produção das parreiras – relembra Todeschini.

Frutíferas de clima temperado precisam de 50 horas a mais de mil horas de frio abaixo de 7,2°C, conforme a espécie. O frio estimula a dormência, que é importante para o fruto suportar as baixas temperaturas e iniciar novo ciclo vegetativo e reprodutivo.

As geadas intensas pedem atenção às variedades superprecoces, como o pessegueiro, que já cumpriram as horas de dormência. Nesse caso, a neve é menos prejudicial do que geadas muito fortes.

Pomares de maçã, pera, nectarina, figo, kiwi e caquis são outros exemplos de frutas que se beneficiam com o clima gelado. O frio é fundamental para uma brotação uniforme e regular, o que reflete em produtividade e qualidade das frutas. Outro ponto positivo é a redução de pragas, doenças e ervas infestantes.

NO RADAR

O mercado de fertilizantes especiais promete seguir em alta neste ano. A Associação Brasileira de Tecnologia em Nutrição Vegetal estima crescimento de 24%. No ano passado, mesmo com os desafios impostos pela pandemia, o segmento registrou faturamento de mais de R$ 10 bilhões, o que representa 41,8% a mais do que os R$ 7,1 bilhões obtidos em 2019.

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R$ 1,7086

é a projeção do litro do leite em julho no RS. O valor é 1,35% menor do que o consolidado no mês anterior, apontou o Conseleite ontem. Os dados refletem um início de safra marcado por custos elevados no campo e na indústria. Coordenador do Conseleite, Alexandre Guerra avalia que, depois de um primeiro semestre de margem prejudicada, é necessária a manutenção dos preços ao consumidor nos níveis atuais.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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