CAMPO E LAVOURA – Oferta e preço de grãos preocupam indústria gaúcha

Sinalizada ainda no ano passado, a preocupação da indústria de proteína animal em relação ao abastecimento e à alta nos preços do milho e do farejo de soja utilizados na composição da ração de aves e suínos vem crescendo. Ontem, a Organização Avícola do Rio Grande do Sul (OARS) voltou a cobrar dos governos estadual e federal a adoção de medidas para aumentar a disponibilidade de grãos no mercado interno.

Em nota, a entidade relembrou a pauta encaminhada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ao Ministério da Agricultura, em dezembro passado, com objetivo de aliviar custos do setor, pressionados pela valorização dos grãos ao longo de 2020.

Entre as demandas, estão a suspensão temporária do PIS-Cofins sobre a importação de milho e soja, a flexibilização de regras para importação de milho transgênico, a abertura de cadastro antecipado das contratações de exportação de milho e soja e criação de linhas de crédito para armazenagem.

Por causa da estiagem, a situação da disponibilidade de milho se agrava no Rio Grande do Sul, que em 2021 deverá colher entre 3 milhões e 3,5 milhões de toneladas, quase metade do que costuma produzir em anos de normalidade. Mesmo quando tem safra cheia, o Estado não consegue atender a toda a demanda e a indústria precisa buscar em torno de 1,5 milhão de toneladas do grão em outros Estados ou países.

– Historicamente, somos deficitários, e neste ano devemos (a indústria de proteína animal) buscar até 3 milhões de toneladas de milho fora do Estado – estima José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).

Por conta do aumento nos custos de produção e a menor disponibilidade de milho, Santos relata que já há granjas estudando a possibilidade de darem férias coletivas e reduzirem a produção.

– A valorização dos grãos trouxe um novo componente para o mercado e vem retirando a sustentabilidade econômica da atividade neste momento – sustenta Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos (Sips).

Sem medidas que aumentem a oferta interna de milho, avalia Kerber, o suprimento só deve se estabilizar no segundo semestre, com a safrinha.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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