CAMPO E LAVOURA – O que trouxe diferença de R$ 4 mil por hectare na produção de soja

Uma diferença de R$ 4,05 mil por hectare, para mais ou para menos. Essa é a matemática que resulta apenas de uma das tantas contas possíveis a partir dos resultados do Ensaio de Cultivares em Rede de Soja, parceria entre Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e Fundação Pró-Sementes, na safra 2020/2021 do grão. Foram testadas 39 cultivares em 11 municípios de três microrregiões (veja quadro). A proposta da pesquisa, que se repete a cada ciclo, é dar subsídios para o produtor fazer a escolha da semente mais adequada à realidade do local em que produz.

– É das ferramentas mais importantes para o produtor ter à mão na hora do plantio – afirmou Gedeão Pereira, presidente da Farsul, ontem, na apresentação dos resultados.

Gerente de Pesquisa & Desenvolvimento da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl avalia que, de forma geral, foi um bom ano para a soja, apesar da variabilidade climática no RS.

Em um dos exemplos destacados, a escolha entre a cultivar de maior e a de menor rendimento em Passo Fundo, no Norte, aparece no bolso. A maior produtividade do município foi de 109 sacas por hectare. A menor, de 82 sacas. Uma diferença de 27 sacas que, multiplicadas pelo valor médio de R$ 150, representa a diferença de R$ 4,05 mil por hectare. No cálculo dos custos, a semente tem peso em torno de 8%.

– Se o produtor for economizar, que não seja na semente, porque ela define muito o potencial produtivo da lavoura – afirmou Kassiana.

Superintendente do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS), Eduardo Condorelli acrescenta que "a escolha da variedade é a garantia do padrão inicial da lavoura":

– O ensaio mostra que não há um melhor material, mas vários .

O melhor rendimento registrado na pesquisa foi de 122 sacas por hectares, em duas microrregiões diferentes, nos municípios de Pelotas (com variedade de ciclo precoce na 2ª época de semeadura) e de Santo Augusto (ciclo precoce, na 1ª época de semeadura).

O presidente da Farsul destacou ainda o novo patamar de produtividade média obtido nas lavouras de soja no Estado. Com exceção de 2020, sob impacto da estiagem, a partir de 2017, tem ficado acima dos 3 mil quilos por hectare (em 2021, ficou em 3.433 quilos ou 57,2 sacas, conforme dado da Conab).

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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