CAMPO E LAVOURA | O que revela a frase da ministra sobre o abastecimento de arroz

A garantia dada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, de que haverá arroz suficiente para atender a demanda no Brasil, ganhou destaque. Diante da pergunta da youtuber Esther Castilho, 10 anos, sobre preços ao consumidor, respondeu que o produto "não vai faltar":

– Agora está alto, mas nós vamos fazer baixar. Se Deus quiser, vamos ter uma supersafra no ano que vem.

Tereza Cristina acrescentou que a situação do setor é monitorada de perto. Produtora rural que é, ela sustenta sua afirmação em números. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a projeção é de que o estoque final fique em 534 mil toneladas de arroz. Esse é o volume com o qual se deve chegar em 2021.

Atende a uma demanda de cerca de 20 dias. Como em janeiro já começa a entrar a nova safra, o cenário é de abastecimento, numericamente, garantido. Claro que o aumento do consumo é outro fator a ser incluído na equação. E que pode ser o fiel da balança.

Preocupada com a amplitude da valorização da saca, que fechou ontem com cotação recorde, de R$ 102,93, segundo o indicador Esalq/Senar-RS, a indústria pressiona o governo, alegando dificuldade em obter a matéria-prima, apesar das garantias de oferta.

Sugestão já apresentada é a de que o governo federal derrube a tarifa externa comum, cobrada para a importação do produto de fora do Mercosul. Na semana passada, em reunião da câmara setorial do arroz, votação acabou mantendo a cobrança. O assunto deve voltar à pauta da Câmara de Comércio Exterior neste mês.

A frase da ministra aponta ainda para o futuro, com a projeção de uma safra cheia de arroz no Brasil, na qual se depositam parte das expectativas de acomodação dos preços. A estimativa da Conab é de uma colheita de 12 milhões de toneladas na safra 2020/2021, alta de 7,2%. O setor não vê que o trecho em que ela diz "nós vamos fazer baixar" seja sinal de intervenção do governo.

Depois de anos consecutivos de prejuízo, produtores preocupam-se com ações que possam voltar a fazer o valor despencar. Se, eventualmente, a tarifa de importação for derrubada, prazo e volume para a vigência serão solicitados.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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