CAMPO E LAVOURA | O que representa a isenção da tarifa de importação do arroz

Horas depois de dizer que não faltará arroz no país, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, confirmou o pedido para zerar a Tarifa Externa Comum (TEC) de importação do produto para países de fora do Mercosul. Solicitação chancelada na tarde de ontem pela Câmara de Comércio Exterior (Camex). Serão 400 mil toneladas passíveis de isenção até 31 de dezembro deste ano.

O argumento é de que a medida serve como precaução, para garantir o abastecimento. A opção, no entanto, foi recebida com ressalva pelos representantes de produtores. Até porque, na semana passada, na câmara setorial, decidiu-se pela manutenção da tarifa. Inclusive com voto do Sindicato da Indústria de Arroz do Estado (Sindarroz).

– Os números da Companhia Nacional de Abastecimento são bem claros. Há um perigo (na medida). Refletirá diretamente na colheita do ano que vem – avalia Francisco Schardong, presidente da Comissão de Arroz da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Os dados a que se refere são a estimativa do estoque final (veja abaixo). A quantidade de arroz disponível permitiria atender à demanda brasileira por cerca de 20 dias. Seria o suficiente, já que em janeiro de 2021 começa a entrar a nova safra produzida no Brasil.

– A medida causa certa surpresa em função desses indicativos. Mas respeitamos a decisão do governo – afirma Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz-RS).

Ele acrescenta que, embora a quantidade a ser isenta da tarifa seja superior à recomendada, a data de vigência traz uma certa tranquilidade por não coincidir com a colheita brasileira.

– O produtor tem seus motivos (para não querer), mas a restrição da tarifa é para abastecer. Não estimo que vá baixar preço, mas que estabelecerá o teto – avalia Tiago Barata, diretor-executivo do Sindarroz-RS.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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