CAMPO E LAVOURA | O que faz de projeto-piloto no RS um novo marco do crédito rural

Mais do que ser o primeiro, é o que representa o projeto-piloto feito para a Cotrijal no cenário do crédito rural que o torna tão emblemático. Como antecipou a coluna, a operação foi detalhada ontem. E é vista como uma chave de acesso a nova fonte de recursos para financiar a agropecuária.

– É uma grande inovação, marca a entrada do banco em um mercado de grande futuro. Estamos democratizando o crédito – pontuou Gustavo Montezano, presidente do BNDES.

O uso do Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) em si não é a novidade. A figura do garantidor, sim.

– A diferença é que o BNDES garante o pagamento dos investidores. Abre a porta de uma nova estrutura que se espera poder replicar posteriormente – completou o economista Rafael Feler.

Na prática, o mecanismo (veja abaixo) representa mais uma opção para o produtor na hora de buscar recursos, seja para renegociação ou para um novo financiamento. Soma-se às linhas já existentes e traz a expectativa de que o maior beneficiado com essa concorrência seja o produtor.

– Precisamos de muita gente, o agro cresceu muito. Temos poucos recursos oficiais, que têm de ser dirigidos para os pequenos e médios produtores – enfatizou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

Outro ponto importante. O governo colocar esforços (e dinheiro) na ampliação do seguro rural, atuando de forma direcionada no crédito rural, atendendo os que realmente precisam da subvenção e equalização de juro oficial. A MP do Agro, convertida em lei, foi fundamental para o processo, dando segurança às operações de crédito estruturadas. A proposta agora apresentada foi desenvolvida pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) com o ministério.

– O primeiro passo é ter o produto na prateleira. Tudo nasce a partir do produtor – destacou Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul, que trabalhou na construção da proposta.

Na Cotrijal, a operação será para renegociação de cerca de 500 associados, impactados pela estiagem do ano passado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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