CAMPO E LAVOURA – O que "diz" a suspensão de linha do BNDES para armazéns

Com menos de um mês de vigência, o Plano Safra 2021/2022 teve contratações de uma das linhas, operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), suspensa por conta do "nível de comprometimento de recursos". Trata-se do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), que conforme circular do banco, fica, por ora, no modo de espera para os financiamentos com taxa de juro pré-fixada de 7% ao ano.

Em nota enviada à coluna, o BNDES informou que "todas as linhas apresentaram forte demanda desde o lançamento da safra", com destaque para o PCA. O orçamento do programa é definido pelo Ministério da Economia, para ser utilizado em 12 meses. Diante da elevada procura de produtores e cooperativas, no entanto, o banco "foi levado a suspender os protocolos de novas operações".

Na prática, isso não quer dizer que não há mais recursos para projetos de armazenagem. Outros bancos, conforme o Ministério da Agricultura, passaram a operar recursos equalizados pelo governo federal na atual safra – BDMG, Banco do Brasil, Banrisul, BRDE e Caixa. E o BNDES, que antes tinha a exclusividade, detém menos de 25% do disponibilizado ao programa.

Nessa conta não entram também outro R$ 1,2 bilhão autorizados para todos os bancos que operam crédito rural, a partir dos recursos oriundos dos depósitos à vista compulsórios. "Portanto, há uma distância significativa para a exaustão de recursos", acrescenta a pasta em nota.

O que é verdadeiro. Mas a suspensão das contratações do BNDES – e a busca acentuada por financiamentos na largada do Plano Safra – evidenciam o que vem sendo destacado há alguns anos por entidades do setor agropecuário.

– A demanda do agro tem crescido a um ritmo bem maior do que o BNDES tem conseguido encaminhar. Mas isso não é e hoje – observa Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado.

Presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Estado, Roges Pagnussat refoçra que o acesso ao crédito para investimentos em estruturas para armazenar a crescente produção no campo é de "suma importância".

– A segurança alimentar passa por ter produto armazenado – acrescenta.

Pagnussat estima ser necessário ampliar em 30% a capacidade de armazenagem no Estado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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