CAMPO E LAVOURA | O que desafia o setor de grãos

A pandemia não é o maior desafio enfrentado pelo agronegócio gaúcho em 2020, aponta relatório da consultoria Bateleur. Câmbio, estiagem e guerra comercial de China e Estados Unidos são fatores de maior atenção para os grãos.

– O Brasil vinha com o nível de câmbio atrelado à expectativa de reformas, à percepção de risco do mercado internacional. Com a pandemia, precisou pensar em como salvar setores da economia, empregos. Isso comprometeu as metas de ajuste e colocou de lado essas reformas, levando à desvalorização (do real frente ao dólar)- observa Ernani Carvalho, um dos sócios da Bateleur.

O primeiro efeito desse cenário é que, em reais, grãos como a soja ficaram valorizados, o que traz a oportunidade de maior receita ao agricultor. Por outro lado, a falta de chuva na safra de verão, encolheu a produção do Estado em 40%. A variabilidade fez alguma com que algumas regiões assimilassem perdas enquanto outras sentissem menos. Ao mesmo tempo, o câmbio deixou mais caras as importações. E favoreceu itens como arroz, que teve boa colheita, e trigo, boa perspectiva.

Já o embate entre Washington e Pequim deixa a soja brasileira mais competitiva do que a americana. Isso no ano em que o USDA prevê aumento de 6% da demanda chinesa pelo grão, depois de um 2019 com retração por conta da peste suína africana.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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