CAMPO E LAVOURA | O que ajudou a fazer frente aos custos na produção de suínos

Igualmente afetada pelo aumento expressivo de custos, a indústria de suínos do Rio Grande do Sul não trabalha, neste momento, com a perspectiva de redução da produção. A medida é sinalizada (e já vem sendo adotada) nas empresas de processamento de frango, como forma de equilibrar as contas. E o que explica essa diferença, se o que tem pesado nas despesas são insumos semelhantes?

A resposta está no mercado externo. O Brasil teve em 2020 um ano histórico de embarques de carne suína. Pela primeira vez, o volume ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas. Foi, ainda, um crescimento de 36,1% sobre a quantidade de 2019. E se estendeu à receita: os US$ 2,27 bilhões são alta de 42,2% em igual comparação.Esse avanço expressivo deu ao setor uma "gordurinha extra" .

– Isso ajudou a escoar boa parte da produção. A indústria teve condição de fazer uma gestão melhor de precificação por conta disso – observa Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicado das Indústrias de Podutos Suínos do RS (Sips).

Apesar de entender que a maioria do segmento está se viabilizando, o diretor pontua que a dificuldade existe e que o momento é de "preocupação", um "cenário duro":

– Para comprar a mesma quantidade de produto (insumo), é preciso capital de giro maior do que era necessário antes. Só na valorização do milho dos últimos seis meses, tem empresa que precisa 50% mais de capital de giro.

A carne de frango também é vendida ao mercado externo – o Brasil é o maior exportador mundial dessa proteína. Mas o volume embarcado em 2020 permaneceu praticamente estável, com leve alta de 0,5%. E em faturamento, houve queda de 12,6%.

Nas exportações do RS, o volume de carne suína cresceu 54,41%, com receita 52,37% superior. Estão no Estado oito das 16 plantas habilitadas para vender à China, principal destino. No frango, também foram ampliadas, mas em ritmo diferente: 15,82% e 0,95%, ainda refletindo recuperação de espaço perdido em 2018.

Kerber pondera ainda que não é somente a pressão de custos dos inusmos, como milho e soja, ingredientes da ração animal, que incomoda. O aumento do combustível traz outros efeitos, deixando, por exemplo, o frete mais caro. Isso implica gasto maior para a distribuição de carnes.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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