CAMPO E LAVOURA | O que a menor safra desde 2012 ensina

A persistência da estiagem em etapa crucial de desenvolvimento da soja no Rio Grande do Sul cobrará um preço alto. Dados divulgados pela Emater apontam redução de 45,8% em relação à estimativa no início do ciclo, com a colheita agora projetada em 10,6 milhões de toneladas (leia mais na nota ao lado). É o menor volume desde a safra 2011/2012, quando o Estado foi igualmente castigado com a falta de chuva. Vem daí a primeira lição. Em um Estado onde o déficit hídrico é recorrente, não dá para esperar a próxima seca para agir.

Em uma atividade a céu aberto e sem controle do tempo, é preciso usar as ferramentas disponíveis para redução de riscos. Uma delas é a irrigação.

Atualmente, o Estado tem menos de 3% da área de verão com o sistema (sem contar o arroz, 100% irrigado). Percentual insignificante diante da área cultivada, cerca de 7 milhões de hectares. Viabilizar o acesso às tecnologias que ajudam o agricultor a se proteger é tarefa que exige esforço coletivo. Desde a conscientização do produtor até o apoio do Estado na garantia das condições de infraestrutura e crédito necessárias.

Na sexta-feira, a Secretaria da Agricultura anunciou a criação da Câmara Temática de Irrigação. A ideia é colher sugestões para formas de fomentar o uso do recurso.

– Vamos estimular o investimento para que a área irrigada aumente – afirmou o secretário Covatti Filho.

Ele também sinalizou que está em estudo o remanejo de orçamento para retomada do subsídio no programa Mais Água, Mais Renda. A lei de criação, em 2013, estabelecia pagamento da primeira e da última parcela pelo Estado até 14 de março deste ano. Acreditava-se que, nesse intervalo, seria possível “sedimentar” a importância do sistema.

E, apesar do avanço – foram acrescidos 86,14 mil hectares – o índice segue pequeno. Seja qual for o caminho escolhido, tem de ser perene, sistemático. Não pode acabar com a próxima chuva e nem com as boas colheitas que dela resultam.

No campo, quem trabalha com a irrigação sabe que ela não elimina por completo os efeitos da falta de chuva, mas consegue reduzi-los. O bom resultado da lavoura envolve diferentes técnicas de manejo.

Pelo levantamento da Emater, a média de produtividade da soja neste ano caiu de 55 sacas para 30 sacas por hectare. Em propriedades com irrigação, a diferença de rendimento, em anos de estiagem, aparece – podendo até dobrar segundo especialistas. E se a chuva vier, ninguém sai perdendo.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN
Publicado em 23/05/2020
Fonte: Zero Hora

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