CAMPO E LAVOURA | O caminho para ser livre da aftosa sem vacinação

As ações a serem tomadas pelo Estado para consolidar o pedido de zona livre de aftosa sem vacinação se dividem em dois grupos. No primeiro estão as que são obrigatórias, a partir da determinação do Ministério da Agricultura. No segundo, as que estão programadas pela própria Secretaria da Agricultura para atualizar dados e modernizar a estrutura da Defesa Agropecuária.

Nesse segundo pacote, previsto para ser executado a partir de agosto, conforme explicou o secretário Covatti Filho em live realizada ontem, está, por exemplo, a atualização da declaração anual do rebanho gaúcho. A novidade é que produtores que não mantiveram as informações em dia – a comunicação é autodeclaratória – não serão autuados. Para ser possível isso, é necessária regulamentação específica, que precisa ser feita.

Até lá, também se estima que tenha sido viabilizada a comercialização de animais entre Rio Grande do Sul e Paraná, já que ambos buscam a progressão de status sanitário.

– Também queremos modernizar o sistema de defesa, para que quase todos os serviços posam ser feitos de forma remota pelo produtor – acrescentou o secretário.

Medida desafiadora, visto que conectividade é um problema no Interior e que muitos produtores precisam se familiarizar com o uso de novas tecnologias.

Na relação das ações obrigatórias estão os já mencionados reforço de veículos e de pessoal. São demandas que vêm de auditoria realizada por técnicos do ministério, em um total de 18 itens. E que voltarão a ser avaliadas em nova vistoria, em agosto, da qual depende a continuidade do processo de retirada da vacina.

A licitação para compra de veículos já teve empresa selecionada, segundo o secretário-adjunto Luiz Fernando Rodrigues Júnior. E a para a contratação de terceirizados ainda depende de definição sobre onde serão alocados os 150 auxiliares administrativos. As duas somam cerca de R$ 12 milhões.

– Agosto é o mês chave – reconhece Covatti Flho.

Em uma conta que envolve apenas o setor de suínos, a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul estima em R$ 600 milhões ao ano o ganho em receita com exportações, se o Estado conseguir o status de zona livre de aftosa sem vacinação. O dado foi apresentado com o plano de ação traçado para que seja possível a progressão.

A conta, afirmou Covatti Filho, reflete a entrada em mercados hoje não acessados por conta da imunização. Entram nessa lista Japão, Coreia do Sul, México, Estados Unidos, Chile, Filipinas, China (carne com osso e miúdos) e Canadá.

Na prática, o acréscimo pode ser ainda maior. Segundo Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato de Produtos Suínos do Estado (Sips), só para a China deixa-se de embarcar cerca de 5 mil toneladas por mês de carne (com osso e miúdos), em um faturamento médio mensal estimado em US$ 16 milhões.

Fonte: Zero Hora

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