CAMPO E LAVOURA – Novo status sanitário do RS traz conquistas e responsabilidades

Quando a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) entregar o certificado que reconhece o Rio Grande do Sul como zona livre de febre aftosa sem vacinação, o trabalho estará apenas começando. Porque é a partir desse momento, previsto para o próximo dia 27, em meio à assembleia-geral da entidade, que manter a doença longe do rebanho bovino e bubalino do Estado passa a ser obrigação. Todos os dias serão dias de renovar a barreira invisível que agora deverá combater o vírus.

As últimas doses da vacina foram aplicadas em abril do ano passado. De lá para cá, o sistema vinha fazendo seu teste de fogo com as novas regras trazidas pela decisão de deixar de vacinar em vigor. Com o novo status, sai o componente condicional e passa a ser "pra valer".

O Rio Grande do Sul se preparou para dar esse passo à frente e tentar curar as feridas deixadas pelo episódio de Joia, há duas décadas, como mostrou a reportagem de Fábio Schaffner publicada na superedição de Zero Hora. A prontidão não termina agora, pelo contrário. É mais essencial do que nunca.

Essa é a razão pela qual a cautela se mantém presente em alguns dos discursos relacionados à conquista. O Rio Grande do Sul optou por mexer em um time que estava "ganhando", porque percebeu que poderia ampliar a vantagem se decidisse evoluir.

Não há dúvida do potencial, estimado na perspectiva mais otimista em até US$ 1,2 bilhão extras por ano em negócios com mercados onde hoje o produto gaúcho não entra. Não há garantia de que vai dar certo. Mas assim como a decisão foi tomada a partir de um entendimento coletivo, não necessariamente uma unanimidade, a responsabilidade que segue também é conjunta.

Vai do produtor, sentinela mais próximo do gado, ao Estado, que precisa manter a estrutura e o aparato de apoio no mesmo compasso inicial. São recursos, financeiros e humanos que ajudarão a manter a conquista.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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