Campo e Lavoura -Não-Me-Toque – Câmbio impulsiona vendas para gringos na Expodireto

Mercado brasileiro tornou-se mais atrativo a estrangeiros que participam da Expodireto-Cotrijal, feira de tecnologia agrícola

Câmbio impulsiona vendas para gringos na Expodireto Diogo Zanatta/Especial

Foto: Diogo Zanatta / Especial

Depois de 26 embaixadores estrangeiros passarem pela Expodireto-Cotrijal nesta semana, mais de 30 empresários de diferentes países chegam nesta quinta-feira a Não-Me-Toque, no norte do Estado. Em meio a máquinas, equipamentos e lavouras experimentais, os sotaques dos gringos evidenciam o caráter internacional da feira – que ganhou ainda mais força neste ano pelo efeito cambial.

O mercado brasileiro, que já chamava atenção por produzir tecnologia agrícola de ponta, tornou-se mais atrativo aos importadores pela valorização do dólar no câmbio. Na prática, o preço dos produtos expostos ficou mais em conta para quem negocia em moeda americana.

— Importadores estão comprando máquinas e equipamentos 30% a 40% mais baratos do que no ano passado — destaca Evaldo Silva Júnior, coordenador da área internacional da Expodireto.

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Nos primeiros dias, foram as representações oficiais que marcaram presença entre os mais de 500 estandes da feira. Embaixadores e diplomatas de países como Argélia, Polônia, Emirados Árabes, Moçambique e Nigéria circularam pelo parque em busca de tecnologias para levarem a seus países. Nestas quinta e sexta-feiras, será a vez das tradings estreitarem relações com exportadores brasileiros para encaminhar negócios a área de máquinas e grãos. Destaque para o Panamá, Ucrânia, Irã, Colômbia, Gana e Inglaterra.

Diretor de uma trading no Irã, Mehran Ziaei participa pela sexta vez da Expodireto. Neste ano, pela primeira vez, irá conseguir concretizar exportações de grãos e de máquinas agrícolas produzidas no Brasil.

— Tínhamos muitas barreiras alfandegárias que conseguimos derrubar — contou Ziaei, enquanto olhava uma plantadeira de grãos.

O importador iraniano, da trading H.C. Parsian, conta que mesmo com a presença de grandes fabricantes do setor no país de origem, é mais rápido e mais barato comprar no Brasil. Quanto ao interesse em soja, milho e trigo, destaca que o Irã produz menos de 5% dos grãos que consome.

Energias renováveis despertam interesse

A exposição de fontes de energias renováveis foi a novidade da área internacional neste ano. Soluções energéticas como um gerador híbrido movido à água despertou interesse de estrangeiros. Produzido em Esteio, pela empresa Green +, o equipamento abastecido com hidrogênio e etanol foi lançado na feira como uma alternativa de fonte renovável para abastecer pivôs de irrigação, aviários e criatórios de suínos.

— O preço é semelhante a um gerador à base de diesel, com o diferencial da sustentabilidade e menor custo de manutenção — destaca Josely Rosa, diretor da empresa.

Em 2015, a participação estrangeira na feira movimentou R$ 237 milhões. Neste ano, a expectativa é superar essa quantia, por conta também da valorização do dólar no câmbio brasileiro.

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Por: Joana Colussi – de Não-Me-Toque

Fonte : Zero Hora

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