CAMPO E LAVOURA | "Não adianta ter produção excepcional se, no final do ciclo, a conta não fecha"

CLÁUDIO ROCHA, Diretor técnico do Senar-RS

A permanente reinvenção da agropecuária brasileiro fez o Brasil passar de importador a exportador de alimentos. A transformação da atividade exige preparação e capacidade de irem além da questão agronômica. Em live de GZH, o diretor técnico do Senar-RS falou sobre o tema.

O que mais exige preparação hoje na atividade rural?

A necessidade maior é em relação à mecanização. As máquinas vêm com tecnologia muito relevante. É uma série de monitores, sensores, gama muito grande de eletrônicos, que fazem parte do dia a dia do homem rural. Inovações surgem diariamente e, consequentemente, a atualização tem de ser feita sempre. Os profissionais precisam observar, fazer interpretação de mapas de fertilidade, de colheita, otimizando resultados.

A maior carência de treinamento é do proprietário, do funcionário ou de ambos?

No Estado, segundo o IBGE, temos 365 mil estabelecimentos rurais, com impacto na atividade de cerca de 1 milhão de pessoas. Há espaço e necessidade para evolução de todos. O produtor, ano a ano, sente a necessidade de fazer mais, ampliar e ter custo menor. E para isso busca a profissionalização. Precisa ter os pés no chão e implementar boas práticas em tudo o que faz. Os funcionários precisam ter enfoque na operação de máquinas, e isso faz com que precisem se atualizar, gerando eficiência e eficácia. Capacitar ambos é necessário para um resultado melhor.

Que características o produtor de hoje deve ter?

Precisa continuar sendo excelente no que faz, mas com rentabilidade. Porque é lindo dizer que, graças ao agro, tivemos superávit de US$ 6,6 bilhões Mas o que disso ficou no bolso do produtor? Para que tenha um negócio rentável, deve ter perfil de empreendedor, gestor. Não basta saber só de soja, milho, gado. Precisa fazer com que o negócio gere renda. Porque não adianta ter produção excepcional se, ao final do ciclo, a conta não fecha. Um negócio rural sustentável é como qualquer outra empresa.

Há funções em alta? E outras que estão desaparecendo?

Há carência na operação de máquinas. Então, pessoas com capacitação têm um mercado importante. Mas muitos estão indo para o campo para administrar. Entre as que ficaram mais raras está, por exemplo, a do alambrador (instala cercas nas propriedades). Para conseguir um bom, é uma missa. Em razão disso, o custo dele será bem grande. Em outra, a do guasqueiro, que faz sua atividade a partir do couro, atuamos de forma efetiva para resgatar. Temos inclusive um curso para ensinar a fazer peças em couro.

Fonte: Zero Hora

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