CAMPO E LAVOURA | Milho argentino para alimentar a produção de carne brasileira

Indústrias brasileiras de carne começam a buscar milho da Argentina como alternativa à disponibilidade restrita dentro de casa. Ao alcançar a paridade de importação, o produto argentino passa a ser mais uma opção. Ao mesmo tempo, o setor segue buscando a isenção da tarifa externa comum para países de fora do Mercosul – a decisão deve sair na próxima semana.

Para José Eduardo dos Santos, presidente-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), a porta que se abre no vizinho é importante. Hoje, a entidade se reunirá com representantes de exportadores. A avaliação é de que quanto maior for adesão de compra, mais abre-se a perspectiva de negociação de preços:

– É uma alternativa que o setor buscará. O que ajuda é a oferta e o movimento em si.

A elevação das despesas com a ração animal, por conta das commodities valorizadas, tem pesado nos custos. Tanto que há empresas de aves e ovos já reduzindo a produção. Na carne suína, é a exportação que tem ajudado a equilibrar as contas.

Números comprovam que a alta é expressiva. Em 12 meses, o item alimentação, que tem o maior peso dentro do custo das indústrias de leite, ovos, aves e suínos, subiu até 160%, observa o consultor em agronegócios, Carlos Cogo. Ao mesmo tempo, o poder de compra do brasileiro, que segue sendo o principal cliente, foi corroído. E isso faz com que reajustes do produto final se tornem inviáveis.

Embora seja um alento para suprir necessidades de abastecimento, a entrada de milho argentino não deve mexer nos ponteiros de preços, avalia Cogo. A razão está nos fatores que têm sustentado a valorização. Dentro e fora de casa. Ontem, o bushel fechou a US$ 5,80 no vencimento de maio, na Bolsa de Chicago. Há um ano, o mesmo contrato estava em US$ 3,31.

A variação cambial é outro puxador de preço do grão em reais. E tem o fator segunda safra, que tem impactado a bolsa brasileira, a B3. No último dia 6, a saca chegou a históricos R$ 100 nos contratos para maio, na B3. E a projeção é de que siga elevada até a entrada da segunda safra brasileira. Para completar, há perspectiva de que a safrinha não seja tão cheia quanto se esperava. E, nesse cenário, o milho importado (mesmo que o governo venha a isentar a tarifa externa) fica igualmente caro:

– Não chega por menos de R$ 100 – pontua Cogo.

Espaço ao agro

Dentro da estratégia de reforçar a estrutura de atendimento ao agronegócio, o Santander abre hoje uma nova unidade especializada no Rio Grande do Sul. O espaço fica em São Luiz Gonzaga, nas Missões (foto acima). É a quarta loja no Estado – as outras ficam em Sarandi, Frederico Westphalen e Ibirubá, e foram abertas entre 2019 e 2020.

O diferencial desses locais em relação às agências é a dedicação exclusiva ao setor. Vitor Hugo Magni D’Ávila, superintendente-executivo da Rede Sul do Santander Brasil, explica que o foco está na negociação e no apoio técnico, com gerentes especialistas.

No início do ano, o Santander criou uma regional de agronegócio, que dá cobertura no Estado e na parte sul de Santa Catarina. O superintendente-executivo explica que esse movimento faz parte de um projeto nacional do Santander de investir em regiões com vocação para a produção agropecuária.

A regional de RS e SC está dividida em cinco macrorregiões: Uruguaiana, Pelotas, Ijuí, Passo Fundo, Porto Alegre e Campos Novos (SC).

Para fazer frente à investida, haverá ampliação de gerentes especializados, de 25 para 35, nos próximos três meses.

– Sempre fomos presentes, estivemos em todas as feiras, mas agora estamos ainda mais especializados, mais perto fisicamente falando – diz D’Ávila.

Além da estrutura de nicho, as 135 agências trabalham com o setor. No Estado, segundo D?Ávila, as operações do crédito rural cresceram 26% em 2020 na comparação com 2019. A meta da instituição é chegar a fatia de 20% do mercado.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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