CAMPO E LAVOURA – Mercado de proteína animal deve crescer no ano

A demanda por carnes suína e de frango seguirá aquecida até o final de 2020. Essa é a indicação da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que divulgou ontem as projeções do setor para o restante do ano, prevendo expansão no volume produzido pelos frigoríficos do Brasil e ampliação dos embarques para o Exterior.

A elaboração de carne de frango poderá alcançar 13,8 milhões de toneladas, com crescimento de até 4% frente a 2019. Já as exportações tendem a oscilar entre 4,35 milhões e 4,45 milhões de toneladas, expansão de até 5%. Ao mesmo tempo, o consumo per capita do produto pode subir de 42,8 quilos para 43,9 quilos.

Sem a pandemia de coronavírus e o impacto na produção no primeiro semestre, que teve o afastamento de funcionários em meio à crise sanitária e até mesmo a paralisação temporária de algumas fábricas, os resultados poderiam ser mais expressivos nesta temporada.

– Não sabemos a quanto poderia chegar, mas tínhamos uma expectativa de crescimento maior no mercado interno e nas exportações. Não teremos isso na sua integralidade – aponta o diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin.

Na carne suína, a produção tende a se estabelecer entre 4,15 milhões e 4,25 milhões de toneladas, aumento de 4% a 6,5%. Enquanto isso, as exportações, puxadas pelos pedidos da China, têm avanço previsto de até 33%, podendo chegar a 1 milhão de toneladas pela primeira vez na história. Já o consumo per capita se manterá estável, em 15,3 quilos.

No primeiro semestre, o Rio Grande do Sul respondeu por 16% das exportações de frango e 25% dos embarques de suínos.

O presidente da ABPA, Francisco Turra, demonstra preocupação com a imagem do setor de proteína animal, que tem quatro unidades no Rio Grande do Sul com vendas para a China suspensas no momento, como reflexo de surtos de coronavírus identificados em plantas. Turra destaca que o setor abriu cerca de 20 mil postos de trabalho durante a pandemia e investiu R$ 500 milhões na adaptação das fábricas para evitar o avanço da doença e manter a produção.

O Ministério Público do Trabalho no Estado estima que 6,2 mil trabalhadores de frigoríficos no Estado foram diagnosticados com covid-19. Turra questiona o número, já que os resultados teriam sido obtidos por meio de testes rápidos. O dirigente diz que parte destes casos nas empresas foi retificada após a realização do exame RT-PCR.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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