CAMPO E LAVOURA | Melhor preço da soja em dólar desde 2014

A cotação da soja na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos, fechou ontem no maior valor desde 2014 – US$ 13,50 para a posição spot, de janeiro. O movimento de alta se intensificou a partir da segunda quinzena de dezembro e reflete situações pontuais, que poderão se modificar. De toda forma, marca uma mudança entre os fatores que ajudam na formação de preços do grão. Ao longo de 2020, foi a variação cambial que ajudou a segurar a valorização em reais, com recordes. Neste momento, é o preço em dólar (pelo bushel, medida que equivale a 27,21 quilos) que vem puxando a dianteira.

Analista da Safras & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez Roque explica a razão dessa alta. O primeiro fator vem da América do Sul. O mercado tenta antecipar a projeção de quebra na safra argentina, diante dos efeitos do La Niña. Da mesma forma, o clima no Brasil preocupa. Entra na conta ainda o provável atraso na colheita em ambos países:

– Isso amplia a janela de compras de soja americana pela China. Normalmente, em janeiro, já estaria comprando do Brasil, mas com o atraso no plantio, segue adquirindo dos Estados Unidos.

Roque acrescenta que a decisão da Argentina de trancar a exportação de milho é outro fator a ser considerado. Embora veja como exagerado o movimento de alta em Chicago, o analista entende que, se o tempo piorar, pode se consolidar.

Como essa valorização nas cotações em dólar engatou uma sequência nas últimas semanas, há espaço para "correções". Uma melhora climática nos países em produção, eventual piora na guerra comercial entre EUA e China (tida como pouco provável) e a situação da pandemia são itens que ficam no radar, podendo mexer com os preços da soja em Chicago.

No radar

A Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) será comandada pelo economista Paulo Mustefaga. Ele substituirá Péricles Salazar, que morreu no final de 2020. O novo presidente atua no setor da pecuária de corte há mais de 22 anos e ocupava o cargo diretor de Relações Institucionais da entidade.

R$ 125,3 bilhões

é o valor alcançado em contratações de crédito rural para a safra 2020/2021 de julho a dezembro de 2020 – aumento de 18% em relação a igual período da safra anterior. Conforme balanço do atual Plano Safra, divulgado pelo Ministério da Agricultura, nas linhas de investimento, a alta foi de 44% e nas de custeio, de 12%.

Efeito que vai além do recorde

A relevância da marca histórica de 1,021 milhão de toneladas de carne suína embarcadas pelo Brasil em 2020 vai além do número em si. Quarto maior exportador mundial da proteína, o país teve um crescimento significativo das vendas externas no ano passado, 36,1%, e se aproximou do terceiro colocado, o Canadá. A receita acompanhou o ritmo: foram US$ 2,27 bilhões, US$ 673 milhões a mais do que em 2019.

– É um número importante. Demonstra que, mesmo em um ano de pandemia, o Brasil foi chamado e conseguiu atender. Reforçou a confiança no país – avalia Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

O dirigente reforça que, mesmo com o crescimento da fatia de participação no mercado externo, o interno não deixou de ser atendido, consolidando-se como o grande parceiro do setor – a disponibilidade "dentro de casa" cresceu 0,5%.

O detalhamento do resultado final das exportações virá nos próximos dias. Mas em linha com os dados até novembro, a China deve ser confirmada como principal destino do produto. Santin reforça que, foi em 2020, que se sentiu o maior efeito da redução do rebanho suíno chinês em razão da peste suína africana.

A doença começou a se espalhar em 2018. Em 2019, o país asiático ainda conseguiu usar parte da produção local no abastecimento, que foi ficando mais escassa com o passar do meses e acentuou a busca por produto externo no final daquele ano.

– O ano de 2020 foi o pico do déficit da China de carne suína. Demandou muito, não só do Brasil – acrescenta José Roberto Goulart, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Rio Grande do Sul (Sips).

O Rio Grande do Sul é o segundo maior exportador entre os Estados brasileiros, com fatia de 25,7% do total embarcado nos 11 meses de 2020. Nesse período, volume e receita das exportações cresceram mais de 50%.

Goulart não vê perspectiva de a China reduzir volume de compra neste ano. O que pode vir, acrescenta, "é um pouco de pressão gradativa no preço".

Sobre o risco de ter quantidade tão significativa direcionada para o país asiático – por vezes comparada à representatividade que o mercado russo teve no passado, Goulart avalia:

– Tem uma diferença bem interesse entre Rússia e China: um tem 140 milhões de habitantes, o outro, mais de 1 bilhão. Quem tem 1,4 bilhão de habitantes, tem demanda.

Além disso, projeções apontam que só em 2025 o país asiático deve chegar a igual volume produzido antes da peste suína africana. Ainda assim, precisará buscar a proteína fora de casa.

No frango

As exportações de frango fecharam 2020 com leve alta, de 0,4%, em relação ao ano de 2019, somando volume de total de 4,23 milhões de toneladas

Em igual comparação, a receita encolheu 12,5%, somando no ano passado US$ 6,123 bilhões

O Brasil segue como o maior exportador mundial da proteína

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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