CAMPO E LAVOURA – Licões do campo – Iniciativa aproxima universidade de escolas rurais na Fronteira Oeste

Projeto Cidadãos do Futuro, iniciado neste ano, busca disseminar valores relacionados ao agronegócio

Iniciativa aproxima universidade de escolas rurais na Fronteira Oeste Joana Colussi/Agência RBS

Aula técnica no pomar Polo Sul, parceiro da escola agrícola de UruguaianaFoto: Joana Colussi / Agência RBS

Poderia ter sido um dia normal no calendário escolar, em dois colégios públicos de Uruguaiana, na Fronteira Oeste. No lugar dos professores habituais, porém, estavam profissionais e acadêmicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), que uma vez por mês viajam mais de 600 quilômetros para aproximar a universidade de escolas rurais. Iniciado neste ano, o projeto Cidadãos do Futuro busca estimular estudantes de diferentes idades a perceberem os valores ligados ao agronegócio — em uma região caracterizada por lavouras e criação de gado e onde o êxodo rural preocupa.

As atividades iniciam com palestras relacionadas a diferentes áreas do conhecimento e terminam com oficinas práticas, onde os alunos são estimulados a pensar na trajetória futura. Uma das instituições participantes é o Colégio Agrícola Municipal Dr. Luiz Martins Bastos, única escola técnica agrícola da cidade, com pouco mais de cem alunos matriculados e professores agrônomos e veterinários.

— Nossos estudantes são, na grande maioria, adultos que buscam uma formação técnica para continuar ou voltar ao mercado de trabalho. Essa proximidade com a universidade os ajuda a visualizar essas oportunidades — conta Isolete de Castro, coordenadora pedagógica do colégio municipal, mantido com ajuda de doações da comunidade.

Aluna do primeiro ano do curso técnico, Priscila Pinheiro, 28 anos, tinha parado de estudar quando concluiu o Ensino Médio, há mais de uma década.

— Casei, tive filho e virei dona de casa. Mas senti que era hora de dar um rumo diferente para a minha vida — conta Priscila, que foi incentivada pelo marido e pela mãe a buscar uma formação profissional.

Motivada com as aulas teóricas e práticas, Priscila já fez currículo para tentar entrar no mercado.

— Mais para frente, quero fazer Medicina Veterinária — disse, enquanto mestrandos e doutorandos organizavam atividades em sala de aula.

Estudante do último módulo do curso técnico, Manuel Nunes Neto, 30 anos, encontrou na agropecuária motivação para continuar estudando, após formar-se em Cinema pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre. De volta à cidade natal, onde a família tem lavoura de arroz e cria gado, Nunes decidiu buscar conhecimento para tocar os negócios:

— Agora sei onde estou pisando. Vejo a agropecuária de uma maneira bem diferente.

O projeto Cidadãos do Futuro é desenvolvido também na Escola Municipal de Ensino Fundamental Alceu Wamosy, na vila João Arregui, distante 60 quilômetros do centro de Uruguaiana. Com 192 alunos, o polo educacional recebe estudantes de diversas comunidades rurais.

— Boa parte dos alunos são filhos de trabalhadores rurais. Eles têm o campo muito presente em suas vidas — conta a professora Maristela Melo Rodrigues, vice-diretora da escola.

Ampliação do projeto prevista para 2016

Financiada pelo Sindicato e Associação Rural de Uruguaiana e executado pelo Núcleo de Estudos de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (Nespro) da UFRGS, a iniciativa será ampliada em 2016 para outros três polos de escolas rurais do município.

– Queremos estender o projeto para outras escolas também, levando valores e conhecimentos importantes para a formação pessoal e profissional dos alunos – destaca o professor Júlio Barcellos, coordenador do Nespro/UFRGS.

Ainda neste ano, dentro do projeto, formandos do colégio agrícola irão conhecer a Escola Estadual Técnica Celeste Gobbato, em Palmeira das Missões — região caracterizada por lavouras de grãos. Os alunos menores, da escola Alceu Wamosy, virão a Porto Alegre conhecer a UFRGS.

— Encontramos na iniciativa uma forma de dar a nossa contribuição para a formação social de crianças e jovens que, no futuro, poderão ser os protagonistas no campo — avalia Júlio Alberto Silveira Filho, diretor do Sindicato e Associação Rural de Uruguaiana.

Por: Joana Colussi, de Uruguaiana

Fonte : Zero Hora

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