CAMPO E LAVOURA – "É jogar na liga em que somos o primeiro"

MAURÍCIO RODRIGUES, Líder em área da Divisão Agrícola da Bayer

A chegada do engenheiro civil Maurício Rodrigues ao comando da Operação Comercial da Divisão Agrícola da Bayer na América Latina marca um novo momento não só da sua carreira, mas também da busca por representatividade. O paulista de origens gaúchas é o primeiro negro a assumir o cargo:

– É importante esses sinais que as empresas dão porque, sem dúvida, já na minha função anterior e agora ainda mais, represento uma referência para um determinado segmento da população.

Nessa entrevista, ele conta como foi da engenharia às finanças e como os números o conectaram com o setor. Confira trechos.

Como um engenheiro civil foi parar no agro?

No final dos anos 90, tinha poucas oportunidades interessantes em engenharia civil. Trabalhei um pouco como estagiário em mais de uma obra, mas acabei tendo uma oportunidade em um banco de investimentos. Trabalhei em dois e, em algum momento, migrei para a Monsanto. E, depois que me apaixonei pelo setor, e vi o potencial e a oportunidade, não quis sair mais.

A experiência em finanças pesou na promoção, dada a relevância da divisão para a Bayer?

Acho que devem ter pesado alguns fatores. Primeiro, o plano de sucessão bem forte, estruturado da empresa. E trabalho muito próximo às áreas de negócio já há alguns anos. Além disso, o conhecimento da região foi um fator preponderante. Morei em vários lugares, falo espanhol, conheço muito a América Latina. E do agro, ainda que não seja um agrônomo, vivencio isso há 22 anos. Nesse ponto, a experiência em finanças é extremamente relevante pelo fato de vivermos em uma região onde a questão macroeconômica e a gestão de risco, de volatilidades é um fator muito forte.

Como primeiro negro na posição atual, como vê as ações de diversidade nas empresas?

Para a Bayer, o tema de inclusão e diversidade se transformou em um dos pilares mais sólidos. Como em tudo, estamos em uma jornada, aprendendo. Somos benchmarking frente a uma sociedade que está engatinhando. Tem muito ainda para fazer. Estamos caminhando e genuinamente buscando que isso ocorra. Acho que minha promoção reforça muito desses conceitos. E espero que reforce tal como todas as vezes que se promove mulheres ou o tema da orientação sexual. Não só pela diversidade em si, mas pelo fato de ter um motivador e um critério de promoção daquelas pessoas que se justifique com base no histórico, na entrega. E dar a oportunidade para que raça, gênero ou orientação sexual não venham a ser um problema.

O que uma pessoa precisa ter para trabalhar nesse setor?

Primeiro, estar aberto ao maior segmento de crescimento estrutural no país ao longo dos últimos anos. O Brasil não é tão competitivo acho que em nada, comparativamente com o agronegócio. Então, é jogar em uma liga em que somos o primeiro. Acho que só isso já deveria ser um atrativo muito grande. Também tem de estar preparado porque é um segmento, ao mesmo tempo, apaixonante e de uma emoção absurda. Nenhuma volatilidade se compara à do agro. E o principal ponto: é um segmento de ponta em tecnologia, transformação digital, sustentabilidade, é inovador. Acho que você não poderia estar em um segmento que esteja mais na vanguarda de tudo que a gente vem falando em termos de ESG.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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