CAMPO E LAVOURA | Intensidade da alta no preço do arroz vai além das projeções

Depois de sucessivos anos de frustrações, com preços que por vezes sequer cobriam custos, produtores de arroz do Rio Grande do Sul vivem em 2020 um momento singular de valorização do cereal. Na sexta-feira, a cotação média da saca fechou a históricos R$ 83,09, segundo indicador Cepea/Senar-RS. Dependendo da variedade, os números vão além, entrando em faixas antes vistas só na soja.

Parte dessa valorização vem da variação cambial. O dólar acima de R$ 5 serviu como catalisador das exportações. Ao mesmo tempo, inibiu a importações do produto do Mercosul. Outro fator que já vinha pesando era a combinação de estoques baixos e safra apenas um pouco maior do que no ano anterior. Com esses ingredientes na panela, entidades do setor alertavam para a mudança de patamar de preço ainda em 2019.

O que não estava no radar e provocou impacto no consumo foi o advento da pandemia. Mais recolhidas em casa, pessoas do mundo todo reforçaram o prato.

– A gente esperava, sim, um ano de recuperação de preços. É a intensidade que está assustando e que se justificaria se não houvesse mais arroz no mercado. Já passamos do patamar sustentável – avalia Tiago Barata, diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Arroz do Estado (Sindarroz).

Para o dirigente, esse aumento acentuado – do início do ano até agora, a saca subiu quase 73% – pode trazer consequências como a viabilização da entrada de produto de fora do Mercosul, incremento de área plantada e risco de perda de consumo com o produto mais caro nas gôndolas.

Projeções indicam que, nos supermercados, o quilo ficou 15% mais caro. E deve seguir pressionado: o produto que está chegando hoje ao consumidor, observa o diretor-executivo do Sindarroz, está com o preço da matéria-prima de um mês atrás.

Mesmo com a nova faixa de valores para o consumidor, entidades reforçam que o arroz segue sendo acessível, com peso pequeno na cesta básica.

A Abiarroz sinalizou ao governo pedido para isenção da tarifa de importação para o arroz do Mercosul, assunto que deve entrar em pauta amanhã.

– Apesar do volume escoado ser inferior ao da safra, não se vê disponível. Infelizmente, teremos de buscar fora – lamenta Barata.

Colaborou Anderson Aires

GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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