CAMPO E LAVOURA – Indústria reduz produção e eleva preço do frango no RS

Com os custos de produção pressionados pela valorização dos grãos utilizados na alimentação dos animais, a indústria avícola do Rio Grande do Sul definiu estratégia para evitar prejuízos. O setor irá reduzir em até 10% a produção de carne de frango no Estado e prevê reajuste entre 20% e 25% do preço da proteína ao consumidor final.

Atualmente, o Rio Grande do Sul abate em torno de 65 milhões de aves por mês. Segundo o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, o volume deverá cair a 60 milhões de animais a cada 30 dias. Para isso, serão tomadas medidas como a redução da capacidade de alojamento de pintos e o descarte de aves mais velhas.

A redução da oferta de carne no mercado diminuirá a necessidade por milho e farelo de soja na ração animal. A Asgav projeta que a indústria gaúcha deixará de consumir cerca de 25 mil toneladas de milho por mês. Os insumos respondem pela maior parte custos de produção e dobraram de preço nos últimos 12 meses.

– É uma decisão no sentido de equilibrar o mercado. A redução na produção deverá começar a surtir efeito nos próximos 20 dias – projeta Santos.

Paralelamente, os preços nas gôndolas deverão subir até 25% já nos próximos dias. A medida é necessária, segundo a indústria gaúcha, para adequar os valores praticados no mercado ao atual patamar de custos das empresas. Presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin ainda projeta que as aves da ceia de Natal ficarão mais caras neste ano.

– O consumidor terá um Natal com preços mais altos. Isso ocorre por um fator estrutural: o custo de produção subiu fora da realidade – aponta Santin.

O dirigente lembra que o custo produtivo das empresas subiu cerca de 70% no ano e, por isso, é inevitável o repasse aos preços finais. Além disso, Santin ressalta que o movimento de redução na produção de carne não é exclusividade do Rio Grande do Sul. Em todo o país, empresas vêm informando à ABPA retração entre 5% e 10% no volume de abates, o que permitiria reduzir o consumo de milho em até 1,4 milhão de toneladas até 2021.

fernando.soares@zerohora.com.br

FERNANDO SOARES – INTERINO

Fonte : Zero Hora

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