Campo e Lavoura – Gisele Loeblein: estragos da chuva aumentam em até 115% preço da alface

 

Temporais consolidam ainda mais perdas em diferentes culturas

Gisele Loeblein: estragos da chuva aumentam em até 115% preço da alface Felipe Nyland/Agencia RBS

Na Serra, alguns produtores registram até 100% de perdas nas folhosasFoto: Felipe Nyland / Agencia RBS

O tamanho exato dos estragos causados pelo tempo na produção gaúcha só será conhecido depois que a chuva der trégua. Neste momento, equipes da Emater têm dificuldade até de chegar nas localidades afetadas para fazer um levantamento dos prejuízos.

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O mau tempo também impediu que o sistema criado para a comunicação de perdas por parte dos escritórios regionais fosse acessado na quinta-feira. Entre as culturas afetadas estão trigo, arroz, frutas, folhosas e tabaco (leia abaixo).

— Os pedidos de Proagro devem aumentar bastante — avalia Lino Moura, diretor técnico da Emater, em relação às solicitações de seguro feitas à entidade para o trigo, que chegavam a 1.862 há duas semanas.

Prejudicado pela geada de setembro, o trigo deverá ter colheita reduzida em volume e qualidade.

Nas lavouras de arroz, o plantio está atrasado. Ainda há tempo para recuperação e a possibilidade de replantio — isso, claro, quando o tempo colaborar. O diretor técnico da Emater estima que a retomada do trabalho só possa ocorrer dentro de 10 dias.

Na Ceasa de Porto Alegre, antes mesmo dos temporais do últimos dias, a oferta de alface havia sido reduzida à metade, ainda reflexo do mau tempo registrado há duas semanas, e o preço estava 115% mais alto.

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— O produtor havia tido problemas com as chuvas registradas entre 20 de setembro e 1º de outubro. Alguns chegaram a perder 100%. Agora, esperava-se a recuperação. Mas a maioria está com as lavouras debaixo d’água — explica Ailton dos Santos Machado, que é diretor técnico e operacional da Ceasa.

Também produtor de folhosas em Águas Claras, em Viamão, ele teve quebra de 70% na propriedade. Assim como a Emater, Machado estima que ainda serão necessários dias — pelo menos de dois a três — para que se tenha avaliação precisa dos danos causados pelos temporais de agora.

Confira as perdas por cultura:

Folhosas: já acumulavam prejuízos devido à chuva registrada no final de setembro, que fez com que o preço aumentasse 115% na Ceasa. Tendência é de que oferta encolha ainda mais.

Trigo: a produção deve reduzir pelo menos 30%. O excesso de umidade na colheita afeta também a qualidade, reduzindo o valor pago ao produtor.

Arroz: o plantio está atrasado por causa da chuva. Grande parte das lavouras implantadas ficou debaixo d’água. A projeção da Emater é de que entre 7 mil e 8 mil hectares tenham de ser replantados.

Leite: além da impossibilidade de colocar o gado no pasto, para a alimentação, também há localidades com dificuldade de coleta.

Tabaco: o granizo causou perdas significativas nas plantações de tabaco.

Por: Gisele Loeblein

Fonte : Zero Hora

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